Hoje foi dia de Pictoplasma, um festival de arte que rola anualmente em Berlim e que foca em inovação na ilustração. Além de palestras, workshops e exibições de animação, 18 artistas apresentam novas ideias. Alguns deles vocês conhecem: o ácido quadrinista espanhol Joan Cornellà, o americano Andy Ristaino, criador dos personagens de Adventure Time, e o estúdio Birdo, que criou os mascotes das Olimpíadas Rio 2016. O local da exposição não poderia ser mais contrastante.

Um antigo crematório em Wedding, no noroeste de Berlim, aberto em 1911, desativado em 2010 e desde então usado para exposições de arte contemporânea e escritórios de pequenos estúdios de design e áudio. O projeto de reforma custou cerca de 30 milhões e preservou a maior parte da arquitetura do local, o que inclui um cemitério de urnas com mil metros quadrados.

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A exposição rolou no iluminado hall central, que tem um pé direito de 17 metros. Li no Berliner Zeitung que dentro do subsolo ainda existem resquícios utilizáveis do crematório original, preservado em um momento de “Vai que…” ou em caso de um desastre ou epidemia. Eles usam febre aftosa ou um acidente de avião como exemplo (WTF?).

Descobrimos também que ele foi construído como uma onda de movimentos de ‘liberdade de pensamento’ do fim do século 19, uma época que a igreja católica era fortíssima e criava altas tretas por causa das cremações, uma morte considerada pagã.

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A Alicia Gil, uma amiga nossa, chegou antes e nos contou que uma vizinha apareceu dizendo que quando o espaço estava funcionando, dava pra ver a fumaça dos corpos saindo. Não sabemos se a vizinha estava viva ou não, mas posso dizer que com certeza não trabalharia ali a noite. A reforma transformou o espaço em Silent Green e eles alugam treze salas comerciais.

Uma visitante observa as massinhas do italiano Stefano Colferai. À esquerda, adorno original do crematório. Serpentes são relacionadas à imortalidade por causa de sua capacidade de regeneração

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Apaixonei nos pequenos personagens do estúdio britânico Tado. A dupla formada por Mike e Katie sempre usa madeira em seus bonecos e os personagens têm uma pegada meio creepy fofo.

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Os fãs de cultura pop vão curtir os trampos do Sticky Monsters Lab, de Seoul. Eles transformam capas de discos, livros e fitas antigas de Nintendo em monstrinhos. 

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O italiano Stefano Colferai cria personagens divertidos em massinha. Na exposição, elas eram exibidas no formato original e em composições com quadros.

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Exclusivos do artista espanhol Joan Cornellà na exposição. Cabeças cortadas, humor negro e escatologia que faz muito sucesso na internet. Os desenhos estavam à venda por 400 euros 

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Abril e maio são meses especialmente interessantes em Berlim porque concentram alguns dos eventos mais quentes relacionados a arte e criatividade. Começa no fim de abril com a Comics Invasion, passa pela International Games Week, a Galerie Weekend e por fim a Web Week, com a Re:publica e Media Convention. Estamos no meio deste turbilhão todo e na medida do possível compartilharemos algumas coisas legais com vocês. Bis bald!

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