Somar um cliente mau pagante com um mercado criativo saturado de ideias geniais e dividir pela demanda de jovens bem formados e desempregados é a equação ainda incógnita pra muitos que buscam experiências de trabalho na Europa e arredores. Criar alternativas para receber algo pela troca de serviços prestados é o desafio da vez e tem revelado diferentes ideias.

Uma delas está atrás deste paterno bigode dos anos 70 e do sorriso largo de Taichi Fujimoto, recém-formado de Projetos Sustentáveis na Universidade de Westminster e inseparável de seu chapéu preto. O japonês tem ganhado fama nas startups por onde passa com o projeto “Homeless CEO”, que usa colaboração, capital social e planejamento urbano como moeda.

“a ideia é colaborar para mudar algo em vez de competir por sucesso e dinheiro”

Após um calote, Taichi deixou o apartamento que morava em Londres e deu um jeito de fazer valer seus últimos 150 dias na cidade dormindo no chão, em sofás emprestados, barracas e empresas que o convidavam pra um cafézinho. A proposta era encontrar 500 pessoas e formar uma rede colaborativa que incentiva as pessoas a compartilharem o que faça alguém feliz.

A ideia evoluiu junto com a startup Happiness Architect, que desenvolve projetos sustentáveis e que já rendeu uma participação de Taichi no TEDx com a palestra “Do The Interesting Thing”. Conversamos com ele sobre os dias na rua e os aprendizados.

neste formato de capital social, o valor é o conhecimento

“Recebendo cada vez menos, estava ficando mais difícil me sustentar, eu estava quebrado. Foi então que vi a importância dos amigos na minha vida. Comecei a pensar em desenvolver uma ideia de negócio que estivesse ligada a colaboração. Muito do meu trabalho é compartilhado com outras pessoas, eu faço a consultoria, mas alguém precisa fazer o design, o outro texto, muito da nossa vida depende de outras pessoas. Pensei em como usar isso pra ajudar o próximo.”

taichin

Ajudar não é só uma questão econômica, aqui o agente de mudança (a pessoa que tem algo pra oferecer) troca conhecimento para a causa. ”É importante você entender que está doando, não pagando, se as pessoas têm muita comida sobrando no jantar, por que não compartilhar com você? A beleza da história é que o normal é isso vir dos seus amigos, mas a ideia é você compartilhar não só o que você não gosta, mas ajudar as pessoas a ter uma vida melhor, presentear, fortalecer a vida em comunidade e diminuir o consumo.”

A Happiness Architect, que começou com a ideia de Taichi, já acumula uma rede com 10 mil colaboradores de diversos países. Com a ideia veio a Happy Startup School, que funciona no Japão como uma fomentadora de jovens empreendedores.

Fujimoto comenta que já trocou consultoria por pints, almoços e ideias pra uma vida mais sustentável. Mas colocar o plano em prática não foi tão simples. “A gente vive em uma sociedade que pensa em dinheiro o tempo todo de um modo negativo. Me sentia miserável às vezes depois de sair de uma boa reunião cansado e com fome sem nenhum dinheiro pra comprar um sanduíche. Ao mesmo tempo, tenho tanto prazer em dizer que as pessoas nas ruas de Londres são muito legais e solidárias, o tipo de coisa que não se pode comprar.”

Neste ano Taichi está criando o que ele chama de desafios sociais, produto que ele vai tentar vender pra empresas no formato de soluções urbanas, uma boa ação pelas cidades que passar. Se der certo, deve voltar pra estrada como Homeless CEO até 2015.

Existem dicas ou segredos pra ser mais colaborativo? “Tudo tem que partir de você, simplesmente falando. Este é o início da colaboração. Qualquer coisa pode ser iniciada a partir de si mesmo. A menos que você diga o que você quer ou o que você quer fazer, nada acontece.”