entrevista com Flavor Flav e George Clinton @ Black Na Cena

Vamo acabar 2011? Para encerrar o ano do Malaguetas, nosso já tradicional Top 10 Gigs.  Se você não conhece, aqui elejo os dez shows que mais motivaram aquele friozinho na barriga,  os sorrisinhos de contentamento, a lágrima perdida, ou simplesmente deram vontade de se descabelar e pirar como uma tiete ensandecida. Não tem nenhum apelo técnico, resenhativo ou crítico. Just fun.

Durante o processo de escolha da lista tive a impressão de que, em relação a 2010, vi menos coisas extraordináriamente boas. Mas como repórter de Entretenimento no UOL, subi uns dois degraus no jornalismo cultural  e tive a oportunidade de conhecer bandas de estilos variados e viver diferentes tipos de experiências musicais. Bora começar?

Perdendo a mãe no U2 @ Morumbi

Sempre falo aqui sobre como a minha mãe foi minha mentora musical. Aprendi a ouvir os clássicos com ela, além de ouvir a infância inteira suas lamentações por não conseguir mais ver shows que ela gosta e se anular depois que teve filhos (pra quem acha que filhos não atrapalham, somos em cinco).

O que acontece é que minha mãe é maior fã de U2 desde que a conheço como mãe. E finalmente depois de anos, consegui levá-la para ver o show da 360o Tour no Morumbi. Fiquei com ela no máximo cinco minutos antes de perdê-la. Chorei em todos os clássicos que ouvi com ela (sim, sou molona) e HAJA PEDROCAIO pra aguentar minhas lamúrias. Sai do show com os olhos inchados e ela, claro, histérica porque tinha curtido todas as músicas como se não houvesse amanhã. Valeu a conquista.

Perreio no Sublime @ Via Funchal

Uma banda favorita, um show esgotado e uma natural falta de antecipação para comprar ingressos. Depois de um momento Magayver para conseguir colocar meu namorado dentro do show – os ingressos na porta estavam custando surpreendentes R$300 – o Sublime não fez um show tão bom quanto no SWU. Mas marcou por reencontrar amigos e ver meu redator mais brother subir pra tocar “Santeria” com a banda. E com louvor.

Descabelando Alisson Mosshart, um viva pro The Kills @ Beco

O que é Alisson Mosshart no palco? A multi-front-woman do duo formado com James Hince sabe mostrar a que veio no meio musical do rock como poucas. E o show foi só dela. Em uma edição do festival Popload Gig, o Kills apresentou o belo “Blood Pressures” entre caras, bocas e bicos da banda, e da plateia.

Martírio e delírio com Faith No More @ SWU

Último dia de SWU, último dia de camping, chuva e organização capenga. Não conheço toda a discografia do Faith No More, mas isso não quer dizer que o show deles não seja intrigante. Patton tem um jeito engraçado de parecer canastrão sendo genial. Essa foi a conclusão que tive. Ele comanda tudo, todos, faz piadas, canta desnecessariamente bem e ainda se despede com MUAH, BEJOCAS. Não tem como não amar. Mesmo cansada e molhada vi a apresentação no terreiro do festival de Paulínia com a participação do coral de Heliópolis, lindo e digno de um bom fechamento.

Perdendo o namorado no Pearl Jam @ Morumbi

Os anos 90 nunca estiveram tão em 2000. Entrevistei Chris Cornell imaginando como seria trocar meia palavra com Eddie Vedder. O show que eu mais esperava e… e… fuén.

Sai atrasada da redação, inferno pra chegar no Morumbi e ainda assim quando Vedder subiu ao palco, achei que teria os melhores momentos da minha vida. Até que em uma atitude desentendida perdi meu namorado. E fiquei o show inteiro entre o Vedder e a expectativa, da banda tocar minhas favoritas e do namorado perdido. O namorado eu achei, mas as favoritas ele só tocou no show do Rio. Fica a expectativa de um próximo.

Como não gostar de Strokes @ Planeta Terra

Lúcio Ribeiro disse que os Strokes salvaram a música duas vezes. A primeira em 2000, com o lançamento de “This Is It” e a segunda no line-up do Planeta Terra. O festival foi bom na escalação nacional, mesmo já manjada. Curti muito Garotas Suecas, Nação Zumbi e Criolo. Mas o resto foi tiro no pé, já que 98% das pessoas estavam lá pra vê-los.

Casablancas não está nos seus melhores momentos, meio preguiçoso, escondido em roupas hipsters, mas não dá pra ouvir “Someday”, “You Only Live Once”, “Heart In A Cage”, e não ser feliz.  Se um dia tiver filhos, minha referência pro “ia na danceteria pra ouvir Michael”dos meus pais sem dúvida vai ser “fui muito pra farrinhas ao som de Strokes”. E como foi bom.

O pancadão do Soulwax/2ManyDjs @ Ultra Music Festival

A principal responsabilidade do meu contato com música eletrônica é do meu namorado Pedro. O gosto dele é muito parecido com as referências que mais curto em rock e às vezes rola aquela troca de um gostar de uma coisa que o outro gosta ao contrário. Mas em um ponto concordamos, Soulwax/2Many DJs foram um dos melhores shows que vimos no Ultra, festival que fomos pelo segundo ano em São Paulo.

Com menos gente curtindo eletros na redação, esse tipo de cobertura sobra. E eu estou em uma época de arrematar tudo. Tanto como duo, quanto como banda, os caras soam exatamente como deve soar o presente da música. Sem medo de ser modernete ou clássica demais, o repertório dos caral é genial. E as apresentações não foram menos.

A surpreendente catarse do Alice In Chains @ SWU

Quando o ano começou, nunca diria que um show do Alice in Chains seria um dos meus favoritos no ano. Mesmo com aquele vocalista que dá a ideia de que a banda vem de algum subgênero de metal. Ele tem postura, mas se dá bem justamente por imitar como ninguém a voz do Layne Staley. Nunca achei que pudesse ouvir “Rooster”, “Alone”e “Would?” ao vivo. OIlhava pro lado, e as pessoas cantavam com a mesma paixão que eu. Era uma conexão incrível, uma sensação tão boa que ainda é forte enquanto escrevo e não dá pra descrever.

A nostalgia do Hole @ SWU

PODEM rir. Mas eu adoro Hole. A melhor definição que deram pra Courtney é de: tudo que uma canceriana é sem remédios controlados. E eu concordo. Mesmo impulsiva, ressentida, maternal e chingando o Foo Fighters, o Hole fez um show pra ser lembrado. Pagou peitinho? Pagou. Cantou mal? Rá. Enrolou pra cacete com aquelas modeletes? Muito. Mas isso tudo faz parte dessa figura caricata que ela é. Pelo bem pelo mal, cantei tudo. De “Doll Parts”a “Malibu”. E fui feliz, e satisfeita como em poucas vezes no festival.

O adeus do LCD Soundsystem @ No Mondays

Com a casa abarrotada, tudo tinha cara de despedida, e a banda tocou como nunca. Lembro que ouvi algumas músicas do lado da caixa mais próxima do palco. E que som grande, que música autêntica, que James Murphy fofinho. “New York I Love You…” criou uma comoção hipnótica. Inesquecível e merecidíssimo 1º lugar.

Ainda faltou muita coisa pra dizer sobre 2011. Já já tem mais post. :)