“O que acontece quando você não está feliz com as novas 10 milhões de referências relacionadas as Kardashians e apenas algumas centenas relacionadas a um regime de repressão como Belarus? Ou se a diferença de salários entre homens e mulheres é a mesma desde de 1980, mas parece que ninguém se importa? E se você quer que a cultura esteja entre as pautas do governo, mas eles simplesmente não ligam? Há um incalculável número de fatos para contar. Ou uma história interessante para ser re-contada”.

Uma das conversas mais bacanas do dia foi do Tale Studio, uma agência de comunicação comandada pelo sueco Per Cromwell e pelo austríaco Christoph Brunmayr, que já trabalham juntos há dez anos em ações políticas. Para eles, na busca pela história perfeita, o que define se vai ser sucesso ou fracasso não é mais dinheiro. Eles acreditam que as mecânicas para tornar essas histórias mais criativas são surpreendentemente simples. Uma história bem desenhada e direcionada, pode não só fazer a vida ficar difícil para alguns vilões como criar incômodo o suficiente para motivar movimentação política.

Entre os cases da palestra “Storytelling for Growing-Ups”, a dupla mencionou a criação de um partido político fictício que colocava como principal pauta de sua agenda cultura. Eles deram entrevistas fake, convocaram coletivas de imprensa, capricharam na divulgação da “campanha”, e começaram a crescer nas pesquisas e entre os jovens. O que aconteceu? Quando eles chegaram em 10%, os partidos começaram a se preocupar e mencionar suas próprias propostas envolvendo cultura para tentar conseguir votos: touché.

Um caso polêmico recém-divulgado, é a repercussão de uma lei que proíbe imigrantes na Suécia, país onde a agência está instalada. O terceiro partido mais importante do país é de extrema-direita e completamente xenófobo. Eles pediram para cada integrante segurar uma letra, em uma foto separada. Eles seguraram e sorriram pra foto, sem saber o porquê. No fim, estava formada a frase: nós amamos muçulmanos.

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O terceiro caso está relacionado a Suécia e Belarus. Alexander Lukashenko é conhecido por ser um líder autoritário e um dos últimos políticos a ousar usar o bigodinho de Hitler. Está no poder desde 94 e sempre causando com a população e expulsando líderes de embaixadas. No dia de uma das paradas militares mais importantes do país, a agência sobrevoou a capital lançando mini para-quedas com ursinhos de pelúcia que seguravam placas com dizeres como liberdade de expressão e mensagens sobre direitos humanos. Deu um puta ba-fa-fá. O embaixador da Suécia acabou sendo expulso do país e a missão de provocar um ditador, bem, foi cumprida. [se quiser relembrar a história mais a fundo, leia aqui]

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Se você quer conhecer mais trabalhos dos caras, a página antiga deles é Studio Total.

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