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em 1.Julho.2010 por

RESENHA: Devo “Something for Everybody”

Meses depois de anunciar que lançaria um novo álbum, o DEVO começou a desmontar “Something for Everybody” em um quebra-cabeça. A partir daí surgiram testes da “Devo Inc.”, uma empresa fictícia criada pelos caras, que envolviam o tato (veja o vídeo), a visão (qual é sua cor Devo?) e audição (fãs escolhem as 12 músicas do álbum) para aguçar os sentidos e a curiosidade musical alheia.

Já na prévia dava pra sentir o que viria no álbum, mas o excesso de exposição e suspense trazia dúvidas em relação a qualidade do álbum. Até porque, o último dos caras (Smooth Noodle Maps, 1990) foi lançado faz bons anos. E banda antiga lançando álbum é sinal de que alguém está falido.

Acontece que o experimentalismo da banda não se limitou em usar uma nova cor nos chapéus e entrar no cobiçado mundo digital. Mas também não mudou o suficiente para se tornar irreconhecível. Veja abaixo minhas impressões sobre “Something For Everybody”, o nono álbum de estúdio da banda: Leia mais

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em 16.Junho.2010 por

Entre cervejas e pipocas: Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax no cinema

Entre cervejas e pipocas, headbangers e famílias com crianças, começou às 21h da noite desta terça-feira (22), em salas de cinema de São Paulo, a transmissão de “The Big Four”, show que reuniu Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica no festival itinerante Sonisphere, em Sofia, na Bulgária.

O evento foi transmitido simultaneamente para 800 cidades de 31 países durante aproximadamente quatro horas. Em São Paulo, o show foi visto no Cinemark do shopping Eldorado e o UCI do Jardim Sul. Os ingressos foram esgotados nas duas salas paulistanas.

Por causa das diferenças de fuso horário, a exibição nos Estados Unidos e América Latina aconteceu com cerca de duas horas de atraso em relação à apresentação na Bulgária.

No lugar de suco e refrigerante, diversas marcas de cerveja e uma pausa ou outra para pipoca. Além de headbangers devidamente caracterizados, também assistiram à sessão diferenciada pais, filhos e gente que parecia ter saído direto do trabalho.

O Anthrax foi quem abriu a noite com gritos de fãs dentro da sala de cinema. “Caught In a Mosh”, do álbum “Among The Living” (1987), foi a primeira a mostrar como o festival estava acontecendo em alto e bom som. Sentados na cadeira e ainda tímidos, enquanto alguns fãs balançavam a cabeça e gritavam para o telão, outros ainda tentavam entender o que estava acontecendo.

Em um show que durou cerca de 40 minutos, a banda ainda tocou os covers “Got The Time”, de Joe Jackson, e “Antisocial”, do Trust, além de “Madhouse” e “Only”. O show da banda foi encerrado com “I Am The Law”, também do álbum “Caught In a Mosh”. Aos gritos, o vocalista Joey Belladonna avisava: “O Anthrax está de volta!”.

Em seguida, foi a vez do Megadeth entrar em cena. Sob comando do vocalista Dave Mustaine, a banda apostou nos clássicos, agitou o pessoal de Sofia e levantou o público dos assentos no cinema em São Paulo. O show foi aberto com “Holy Wars”, para delírio dos fãs europeus e brasileiros. Logo vieram “Hangar 18″, sucesso do álbum “Rust In Peace”, e “Hook In Mouth”. “Symphony of Destruction” foi o ponto alto, e o show foi encerrado com “Peace Sells”, do segundo álbum da banda, “Peace Sells… But Who’s Buying?”.

Quando o Slayer de Tom Araya e Kerry King –com largas correntes na cintura e um bracelete cheio de pregos– entrou tocando “World Painted Blood”, os fãs se descontrolaram e desceram para fazer um bate-cabeça na frente do telão. A banda ainda tocou “War Ensemble” e “Hate Worldwide”. “Seasons In the Abyss” foi responsável por um corte no som por parte da segurança, preocupada com a dança na frente do palco virar confusão. Em protesto, um rapaz mostrou a bunda e chamou o Metallica de “vendido”. O grupo encerrou o show com “Raining Blood”.

No intervalo antes do show do Metallica foi exibida uma homenagem a Ronnie James Dio, que morreu em maio passado de câncer no estômago. O guitarrista Kerry King (Slayer), o vocalista Dave Mustaine (Megadeth), o baterista Lars Ulrich (Metallica) e o guitarrista Soctt Ian (Anthrax) deixaram suas mensagens de luto e contaram histórias vividas nos bastidores com o músico.

Por volta das 23h30, o Metallica subiu ao palco com abertura igual a que exibiu em janeiro deste ano em São Paulo. O repertório começou com as antigas “Creeping Death” e “For Whom The Bell Tolls”, do álbum “Ride the Lightning”, de 1984. “Fade To Black” foi tocada com violão por cima da guitarra, enquanto no cinema todos cantavam alto, assim como a balada “Nothing Else Matters”. “Master of Puppets” e “One”, esta tocada ao som de canhões, foram outro ponto alto do show, encerrado com “Enter Sandman”.

Em seguida, os 16 músicos das quatro bandas se reuniram no palco para o cover de “Am I Evil”, da banda Diamond Head, em uma “celebração do metal”, como disse James Hetfield.

Com o Metallica sozinho no palco novamente, Hetfield falou que amava o público diversas vezes e tocou “Hit The Lights” e “Seek and Destroy” como bônus para finalizar o show, que por aqui, acabou quase 1h da manhã desta quarta-feira (23), ainda com o cinema lotado e algumas latas de cerveja jogadas no telão. Ao final da apresentação, Hetfield revelou que o evento será lançado em DVD.

A professora de inglês Thais Amaral foi uma das mães que esteve com o filho e marido para assistir ao show. Gustavo, de 10 anos, não pôde ir ver o Metallica em São Paulo por causa da faixa etária e disse ter adorado a experiência no cinema. Quase sem voz, ele disse: “é muito legal vir assistir assim, dá para ver tudo o que os caras estão fazendo e dá para ouvir muito bem”.

Matéria publicada no UOL Música.


em 22.Novembro.2009 por

Na lama com The Killers

A verdade verdadeira é que a banda deve ter passado bem longe da lama, mas a chuva que durou a noite inteira na Chácara do Jockey fez as 12 mil pessoas que passaram pelo show sentir os dois pés (literalmente) em Glastonbury. E como já diz o ditado “saiu na chuva é pra se molhar”, por isso desencanei de me preocupar com o aguaceiro e achei o show muito bom mesmo com os 5kgs de barro que trouxe de brinde para casa. Quem não queria enfrentar o temporal que não arriscasse passar por lá.

Como qualquer garoinha em São Paulo para o trânsito, chegar até a Chácara do Jockey se tornou uma tarefa inquietante e ainda na dúvida se alguma banda ia abrir o show, ou se ia começar as 20hs mesmo, desci um pouco antes do ponto e sai correndo na chuva. Foi o tempo de chegar e ouvir a gritaria da galera recebendo a banda que tocava os primeiros acordes de “Human” single do último álbum Day and Age. Decorado com várias palmeiras, plantas e flores que davam ares tropicais, o palco tinha um K torto e iluminado e luzes ora roxas, ora laranjas que junto com os amplificadores também cheios de luzes e um telão bem planejado finalizavam a aparência de um cassino/disco para o palco. Nada mais apropriado para uma banda de Las Vegas.

O vocalista Brandon Flowers arriscou várias frases em português e apresentou a banda dizendo que nessa noite, eles seriam do público. O hit “Somebody Told Me” acabou de receber o pessoal que ainda estava no trânsito e a pista premium fervia. Ainda veio “Bones” com clipe animado por Tim Burton ao fundo e a cover de Joy Division “Shadowplay” que fez com que o baixo de Mark Stoermer ecoasse forte e com muita pegada, ACHO que as imagens do fundo eram do filme-biografia do Ian Curtis “Control”.

Brandon é um Don Juan no palco, charmoso, seguro e conquistador arrancou gritos histéricos da mulherada como um bom frontman, mas a interação com a banda praticamente não rola. Então veio “Smile Like You Meaning It” que parecia que não ia engatar, mesmo com o violinista no palco quando o vocalista entrou com o órgão que acabou virando o ponto alto da música. Depois de “Bling (Confession of a King)” Brandon senta ao piano e toca um trecho de “Human” (sim, de novo) que termina com duas notinhas erradas.

Brandon anuncia “Are You Prepare?” e “Spaceman” é tocada com coro da galera. E uma palhinha de “Can´t help falling in love with you” do Elvis misturada com a garoa fina deu um clima romântico para os casais em meio as poças de lama. “These Things That I’ve Done” entra em seu ponto máximo com uma explosão de papéis picados no público e o show é “finalizado”. Já tinha gente indo embora quando a banda voltou para o bis de “Jenny Was A Friend Of Mine” e o show acaba em alta com “When You Were Young”.

Pedacinho de “Read my mind”

Todo mundo voltou molhado, com lama até nas canelas, mas o show no geral foi muito bom e o som estava perfeito. Se alguém quiser um tênis pra lavar, tô doando.

Como o show só teve fotógrafo oficial (as imagens aí em cima são de divulgação da banda), essa imagem da lama é do Gustavo Jreige.

Resenha para o MRC.

em 18.Novembro.2009 por

Fim de semana dos festivais – Maquinária 2º dia

Mesmo torcendo o nariz por ter que ver Evanescence e não Deftones ou as bandas do primeiro dia, fui ao Maquinária para dar uma olhada na estrutura e ver como tudo estava rolando e tals. Primeiro que ainda estava me recuperando do Planeta Terra quando desci do carro naquela puta chuva de domingo com o pé esfolado e um mau humor já meio intratável. Segundo que subi e desci a portaria duas vezes na chuva porque ninguém me explicava a entrada certa. Na sala de imprensa me deram um convite que me fez dar mais uma puta volta desnecessária sendo que precisava dar umas twittadas, ver links para fotos, set lists, horários e tudo que você só consegue ver na sala de imprensa, aliás, para isso que ela é feita, convite estava sendo vendido na porta por 15 reais pista premium. Mas, ENFIM, depois de uma meia hora perdida achei o Peu e fui dar umas voltas para ver o que estava rolando.

Acho que nunca vi a Chacará do Jockey tão maltratada, os dois últimos eventos que fui lá (GAS e Just a Fest) foram muito caprichados, por isso acabei estranhando algumas coisas. Os dois palcos estavam próximos e o main era um sonho de tão grande. Deve ter sido o paraíso musical ver Faith No More e Jane´s ali. Mas, como já era esperado, o público era bem mais novo e o espaço estava vazio em relação ao primeiro dia, mas nem dá para comparar.

Do lado dos dois palcos tinha um centro de exposições onde marcas street e de surf dividiam espaço com revistas como Rolling Stone (que tinha Rock Band para o pessoal jogar e eu joguei About a Girl do Nirvana porque não conseguia ajustar a guitarrinha) e Trip. Um pessoal disse que tinha telas de grafite, mas não consegui achar. Os preços não estavam muito diferentes do Planeta Terra, a cerveja e refrigerante custavam em média 5 reais e tinha um crepe de queijo muito delícia. Cheguei tarde até para o Panic! at te Disco, mas deu tempo de ver Evanescence, que foi pontual e entrou no palco com toda sua potência nu metal com Amy Lee tocando “Going Under” às 21hs.

Ela estava com os cabelos mais curtos e enrolados e um vestido de retalhos coloridos sem a expressão gótica do início de carreira e parecia estar muito bem com isso, se revezou entre piano, teclado e voz que soa exatamente como nas gravações. Na platéia muita histeria e emoção dos fãs que incluiam pais, mães, crianças e a presença do ex-BBB Max que cantava as músicas como se fosse sua banda favorita. Foi um show de hits de rádio e clipes da MTV, mas bem feito. Acabou de baixo de uma puta chuva onde eu cheguei à conclusão de que queria ter visto mais coisas, mas no fim deu tudo certo, missão cumprida.

em 8.Abril.2009 por

Kiss em São Paulo e eu na mureta

Tudo começou errado. Reunião às 18hs30, trabalho para entregar na faculdade e para variar, panguona master que sou, perdi a data do credenciamento e deixei para comprar ingresso na última hora, típico. Mas, como um antigo professor me disse que um bom jornalista é o que dá a cara para bater, encontrei um brother com a mesma “cara e coragem” e decidimos ir ver o que rolava no Anhembi.

Chegando lá, depois de uma caminhadinha nada agradável para pessoas sedentárias como eu, a primeira cena que vejo é uma mulher com uma puta plataforma, mini saia de zebra e frente única exibindo uma tatuagem enorme do Kiss nas costas. Ela estava gritando horrores e gesticulando com um cara. Pois bem, esse cara era um cambista e o ingresso era falso. Nessa hora, comecei a dar uma leve desanimada por que estava super caro (tipo 200 reais) e na bilheteria só tinha fila mesmo, ingresso que é bom, nada.

Depois de concluir que fazer a compra alheia não iria rolar, fui dar uma volta no Anhembi para ver se achava alguma alternativa de não voltar para casa frustrada. E tive uma surpresa um tanto quanto agradável. Do lado de fora tinha uma mureta com corrimão que dava de frente pro palco! Acredite se quiser, mas dava para ver T-U-D-O! É claro que não era super high definition, mas consegui ver os dois telões, o palco e o som era perfeito. Acho que nunca fiquei tão feliz de ver uma mureta. Fora isso, tinha um monte de gente trepada nas árvores em volta do lugar.

Quando ouvi “You want the best, you got the best. The hardest band in the world KIIIIIIIIIIIISS”, as cortinas desceram e começou a rolar “Deuce” senti uma aceleração cardíaca doida e comecei a pular como se não houvesse amanhã. Depois disso, o baixista Gene Simmons falou que estava com saudade de São Paulo, que queria ver o pessoal agitar e começou a tocar nada mais, nada menos que STRUTTER! D-U-C-A-R-A-L-E-O!!

Como boa tiete e já me ambientando a energia do lugar que reunia bastante gente, comecei a conversar com uma garota do meu lado e ela fez a máscara do Peter Criss (atual Eric Singer) em mim meio bêbada, ficou uma beleza, haha. Enquanto isso, no palco o espetáculo pirotécnico rolava solto e fiquei embasbacada com aquela parede de cabeçotes! Devia ter uns três metros!! Não existe set list no mundo que satisfizesse a sede de hits dos fãs, mas dentre as boas escolhas estavam incluídas “Hotter Than Hell” e “Nothing To Lose”.

O solo de batera do Eric Singer foi uma coisa doida, ele começou fazendo uns batuquinhos que não valiam uma pipoca e do nada, começou a descer o braço nos pratos e a bateria subiu em uma espécie de elevador que colocou a purpurinada muito alto.

Para afinar a guitarra, Tommy Thayer usou a introdução de “Stairway to Heaven”. É claro que não tocou, ia ser demais para ser verdade. Além disso, estou com aquele “KISS” piscando na minha retina até agora, deve ser um meio de lobotomização criado pelo Simmons. Eles ainda tocaram “Shout It Out Loud”, “Lick It Up” com aquelas dancinhas super clássicas, aliás o Kiss é mestre em fazer os clichês do rock levarem os fãs a loucura.

________________________. Essa pausa foi uma tentativa de descrever “Rock and roll night”. Uma das melhores performances que eu vi na minha fuckin’ vida! É tanto apelo visual que não tem como não se render, serpentina voando, fogo saindo dos amplificadores. Foi demais para mim.

Eles fingem que vão embora, não vão e Gene volta em uma cena bizarra com o baixo estourando o grave (do jeito que eu sempre sonhei) e começa subir uma névoa vermelha enquanto ele cospe “sangue”!! Sabe aquelas coisas que você nem acha que pode acontecer de verdade? Esse é um bom caso.

O bis foi bem generoso e desde o começo já estava esperando por “Detroit Rock City”. Teve “Love Gun”, “I Love it Loud” e nessa hora chegou uma vendedora simpática me vendendo uma calcinha que tinha o nome da banda estampado, pela bagatela de $5 reais. Não aguentei e tive que levar uma para mostrar para minha mãe.

Era mais ou menos umas 23hs40 quando começou a rolar Detroit e eu já estava no êxtase do êxtase. Mas, é claro que tinha que dar uma merda. Um ônibus enorme, daqueles de viagem com vidro fumê parou bem na minha frente! Eu acho que nunca falei tanto palavrão em 15 segundos, fora os que inventei na hora. O show foi finalizado com uma queima de fogos e a banda se despediu de São Paulo com “God Give Rock And Roll To You” ao fundo.

E assim foi meu show. Meio desconfortável por causa do lugar, mas que me fez dar boas risadas, principalmente quando um tiozão de uns 50 anos foi descer de uma árvore super alta e levou um capote histórico. Vou tentar postar um vídeozinho que fiz para quem não foi ficar com uma invejinha e para quem foi dar um pouco de risada da minha cara.

UPDATE: Esse vídeo aqui é da Bruna Bordim, enquanto eu estava lá fora, ela estava na área VIP ensandecida (metiiida, né beim?!) Dá uma olhada ;)

em 24.Março.2009 por

Just a Fest – A apoteose aconteceu em São Paulo

O show do Radiohead que aconteceu ontem na Chácara do Jockey, em São Paulo, foi mais que uma apresentação, uma explosão sensorial. Tenho certeza que as 30 mil pessoas que estavam lá em algum momento sentiram um daqueles arrepios que sobem a espinha inteira até chegar na nuca.

O dia já amanheceu com um clima melancólico, completamente propício para o que estava por vir. No fim da tarde, a garoinha que começou fina cessou e deu ao lugar a atmosfera nostálgica que faltava, fazendo com que o lugar parecesse praticamente isolado do mundo.

Os Los Hermanos subiram ao palco no finzinho da tarde, às 18hs30. Abriram o show com “Todo Carnaval Tem seu Fim” e seguiram tocando sons como “O Vento” e “Andar”. Foi o show de retorno da banda depois de quase dois anos de recesso, deu tempo do Amarante dar um rolê na gringa, criar o Little Joy e vir tocar no Brasil, a Mallu Magalhães nascer, virar celebrity e o Marcelo Camelo pegar ela. A apresentação foi bela e despretensiosa, com os dois revezando os vocais, o público cantando junto, tudo super animado. Mas, muita gente acabou chegando tarde por causa do trânsito, ou da falta de espaço nos estacionamentos, o que lá pelas 19hs30 melhorou e deu a sensação de que o lugar tinha enchido de uma hora para outra.


SET LIST:
Todo Carnaval tem seu fim
Primeiro andar
O vento
Além do que se vê
Condicional
Morena
Andar
A outra
Cara estranho
Deixa o verão
Assim será
Cher Antoine
O vencedor
Retrato para Iá- Ia
Casa pré-fabricada
Último romance
Sentimental
A flor

Depois de deixar o clima folk e as cores terra de lado, quem sobe ao palco são os veteranos do Kraftwerk que vão performaticamente ao encontro dos quatro notebooks posicionados na horizontal, enquanto todos olhavam curiosos para ver o que iria rolar. Apesar do Radiohead não ser uma banda do mainstream e toda a galera “modernete” estar por lá, pasmei vendo muita gente estranhando a apresentação, o que me levou a refletir se estaríamos preparados para a música eletrônica.

Quando começaram a rolar as primeiras batidas de “Man Machine” e depois de uma falhadinha no som, o telão seguia a música com vários elementos visuais e a expressão geral ainda era meio de “what the hell is going on?”. Eu achei super fodasso, além das mil relações que criei, comparando a estrutura do quarteto com uma banda convencional e de como as letras minimalistas me despertavam uma reação muito mais reflexiva do que o normal. Uma sensação meio doida mesmo, de buscar explicações no subconsciente de um jeito menos auto-explicativo e muito mais icônico.

Os buxixos que pesquei no ar eram de “quem acha que isso é música?”, “eles devem estar no MSN” ou “tem certeza que esses caras são famosos?”. Comentários à parte, sons como “Computer World”, “Les Mannequins” (que virou “Somos Manequins”) e “Radioactivity” soaram assustadoramente atuais. Ainda tocaram “Tour de France”, “The Europe Express”, “Numbers” e “Aerodynamik”.

Uma das coisas que me atraíram foi ver que os caras realmente estavam fazendo aquilo ao vivo, com exceção de “Robots” que apesar de ter toooodo seu contexto específico, me fez sentir enganada pela gravação, eu tentei, mas não teve jeito…O show foi encerrado com com o vocalista Karl Bartos dizendo “Non stop the musique”.

Apesar de mais de 30 anos de carreira, os Kraftwerks com ternos bem alinhados e alguns cabelos grisalhos apontando na cabeça mostraram que mesmo depois de tanto tempo conseguem manter o caráter transgressor de sua música. E ainda que sejam super conhecidos na cena e na Europa muita gente ainda não está preparada para o que eles fazem. O que com certeza não tira o mérito visionário dos seus trabalhos.

SET LIST:
Intro
Man Machine
Planet of visions
Numbers
Computer World
Tour de France
Autobahn
Model
Computer Love
Les Mannequins
Radioactivity
The Europe Express
Robots
Aerodynamik
Musique non stop

Em meio a ruídos eletrônicos e gritos histéricos na platéia, a banda adentra o palco às 22hs em ponto. Dali para frente o tempo passaria tão rápido e intensamente que poucos perceberiam a hora de ir embora. A festança começou com “15 Step” e os tambores que anunciavam “There There” anunciavam também a primeira catarse da noite.

Thom Yorke dominou o espaço com sua performance tímida e ao mesmo tempo espontânea e as luzes colocadas em pontos estratégicos, faziam com que não fosse possível desviar os olhos do palco. “Karma Police” fez com que todos se perderam juntos cantando o “I lost my self” em um tom de voz tão suave e leve que dava prazer de ouvir, foi meio hipnótico e absurdamente lindo.

Rolaram sons de todos os álbuns em um set list muito bem organizado, cada música era uma surpresa que mantinha todos num estado eufórico quase 100% do tempo. O guitarrista Johnny Greenwood usou também uma vinheta de rádio em “The National Anthem” que apesar de ter deixado muitos em dúvida achando que fosse uma falha de transmissão, fazia parte dos efeitos do show.

A interação dos caras no palco era completamente harmoniosa e Johnny tocando “Pyramid Song” usando um arco de violino foi outro ponto alto da noite. “Paranoid Android” foi fantástica e o fato de ninguém estar esperando “Fake Plastic Trees” só fez sua introdução ecoar ainda mais alto.

No segundo bis, o pessoal já suspeitava de “House of Cards” e em “You and Whose Army” Thom sentou ao piano com a câmera virada para seu olho, como se tentasse espiar cada reação da platéia.

O “adivinha que som é esse?” do vocalista já anunciava os últimos acordes do festival. E “Creep” (o terceiro Bis!) foi ovacionada em uníssono de um jeito tão verdadeiro que não existem palavras que possam explicar. Enquanto Yorke cantava “I’m a weirdo”, uns caras do meu lado gritavam “eu também” e cada em seu momento pessoal acabou transformando suas emoções em uma energia positiva que se espalhou por todo o lugar. Simplesmente fantástico.

Teve gente que ainda se arriscou a gritar “High and Dry”. Mas, depois de quase duras horas e meia de show não tinha quem mais conseguisse ficar de pé, a sensação era de que tinham puxado de repente a tomada do universo paralelo e era hora de voltar a realidade. Independentemente de quem foi para curtir os sons mais famosos ou não, se era a música do Carlinhos ou não, os caras mostraram que não são banda de um sucesso só e que deixaram um público de 30 mil pessoas ainda mais fã por aqui. Espero que este show seja o primeiro de vários.

SET LIST:
15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side – Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)

BIS 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)

BIS 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)

BIS 3
Creep (Pablo Honey)

Mais do mesmo:
Com um show tão bom (o melhor dos últimos tempos), muita gente falou coisas extraordinárias sobre suas próprias viagens. Dá uma olhada aqui (onde esta resenha está publicada), aqui (sempre tem algo chato pra tentar estragar a festa) ou aqui (alguns bons motivos para você se arrepender de ter perdido). ;)

Fotos by:
Marcos Hermes

Creep (pois é, mooorra de inveja!)

em 22.Dezembro.2008 por

Hellsakura, Muzzarelas e Matanza no Hangar 110

Mais um Jägermeister Rock e na porta duas promotoras recebiam a galera com doses da bebida. Apesar de ter perdido as primeiras músicas “Metal Box”, “Janela Suja” e “You Punk You Rock” cheguei a tempo de ver o Hellsakura que tocou as músicas do álbum de estréia, Split feito em parceria com a banda japonesa Kamisori. A apresentação incluiu, “3 X Não”, “Gabba Roll” e a segunda metade do show ficou por conta das porradas “De Ponta Cabeça” e “Mel Pros Ouvidos”. Para fechar tocaram “Very Dark Sunday” e “Sem Resposta Sem Solução”.

Já tinha ouvido muito falar do Muzzarelas, mas nunca tinha visto a banda ao vivo e o show dos caras é muito bom. Com uma pegada punk rock e as letras divertidas do vocalista Alex Video, a banda formada por Stenio J. von Ziper (guitarra), Flávio FoFis (guitarra), Daniel E.T (baixo) e Victor Coutinho (bateria) tem uma energia muito boa, que muitas bandas novas não tem no palco.

Eram quase 22hs quando os riffs de “Santa Madre Cassino” começaram a ser tocados. Jimmy observando a galera presente perguntava “Qual é mesmo o nome da minha banda?” e o público respondia eufórico “Matanzaaaa”. Com a casa já cheia, eles tocaram “O Chamado do Bar”, “Taberneira”, “Clube dos Canalhas” e “Arte do Insulto”. Mais perto do meio do show, tocaram “Maldito Hippie Sujo” e como sempre ressucitaram o ídolo Jhonny Cash, tocando duas covers. Depois da pausa para a propaganda ao vivo da Jägermeister, a banda foi tocando uma levada de blues enquanto Jimmy recuperava o fôlego . Para finalizar ainda rolou “As Melhores Putas do Alabama” e o show foi encerrado com “Tempo Ruim”.

Foto: Mauricio Santana

Para ouvir as bandas:

Hellsakura
www.myspace.com/hellsakura
www.hellsakura.com.br

Muzzarelas
www.muzzarelas.com.br

Matanza
www.matanza.com.br
www.myspace.com/matanzacountrycore

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