Criado em 1987, o SXSW é um festival de inovação em cultura e tecnologia. Acontece anualmente na primavera de Austin, no Texas, e ficou famoso por se tornar um pólo de discussões profissionais sobre o futuro do mercado musical, cena independente, cinema, entretenimento e mídias digitais. Nesta semana, o SIM São Paulo, que tem crescido como uma versão abrasileirada do formato, traz curadores musicais do evento para bater um papo com bandas brasileiras.

Conversei com Tracy Mann (representante internacional do SXSW no Brasil) e Stacey Wilhelm (diretora, curadora e a nova responsável por escolher as bandas brasileiras que tocam no evento). Juntas, elas apresentarão uma palestra sobre cena independente e mercado musical.

Desde quando o SXSW está de olho na cena musical brasileira?
Tracy – O SXSW está de olho na cena musical brasileira desde o início dos 2000, principalmente por que as bandas brasileiras tomaram a iniciativa de começar a se inscrever. Em 2006, nós apresentamos um show especialmente bem-sucedido do Lenine, com o suporte do programa da rádio pública americana, o The World [ouça aqui]. Nos anos seguintes, outros brasileiros fizeram sucesso, entre eles Pedro Moraes, Rogê, Curumin, CSS e Bonde do Rolê.

O Brasil está provando ter uma riqueza de talentos jovens fora das tradicionais expectativas musicais

O que você acha mais interessante na cena musical brasileira atualmente?
Stacey – Existe uma vibrante e rica nova cena musica brasileira influenciada por raízes indígenas, africanas e europeias. Essa mistura de Bossa Nova, Samba, Forró e Tropicália se tornou a exportação brasileira mais respeitada e mencionada fora do país.

Enquanto o mundo continua seguindo tendências hip-hop, eletrônicas e psicodélicas no mainstream, a tecnologia aumenta o acesso a diferentes influências de todo o mundo. O Brasil está provando ter uma riqueza de talentos jovens fora das tradicionais expectativas musicais. No SXSW, esta cena indie emergente é o que mais achamos interessante na indústria musical.

Em 2015, uma banda nordestina foi um dos destaques do festival, o Far From Alaska. Como eles chegaram até você?
O Far From Alaska se inscreveu e o empresário deles entrou em contato comigo para argumentar sobre a inclusão. Ele parecia bem organizado e preparado para tirar o máximo da oportunidade, por que a banda já tinha agendado uma longa turnê pelos Estados Unidos para coincidir com o SXSW. Então, recomendei eles para os curadores do festival de música.

O time de curadores busca material original, profissional e um bom suporte de divulgação, um bom empresário, para que a banda possa maximizar a oportunidade de se apresentar

O que uma banda precisa para participar do SXSW?
Tracy – As bandas precisam se registrar no site do festival ou via Sonicbids. O prazo para a inscrição fica aberto entre junho e outubro do ano anterior ao evento.

Existe uma pequena taxa de inscrição e as bandas precisam fazer o upload de materiais como músicas, vídeos, clippings da imprensa, etc. O time de curadores busca material original, profissional e um bom suporte de divulgação, um bom empresário, para que a banda possa maximizar a oportunidade.

Você pode dizer o que encontraremos no painel que vocês apresentarão na SIM?
Tracy: Será uma mistura de “Music for Media: Myths e Misconceptions“, “The Future of Music is Space” e “Using Data to Discover the Next Big Thing“.

Considerando que o festival trata de música e inovação, você pode mencionar algum case que chamou a sua atenção nos últimos tempos?
Stacey – Conforme os artistas e influenciadores tem maior acesso a música do mundo todo, isso gera um impacto direto no estilo e som das tendências musicais, o que faz com que os artistas tenham um potencial em outros mercados do mundo.

Ainda que a acessibilidade tenha diminuído a dependência da venda física, as bandas têm descoberto formas criativas de entrar em turnê, vender merchandising, criar parcerias com marcas e gerar renda. As mídias sociais se provaram valiosas em manter a imprensa e os fãs engajados.

Além disso, percebemos estratégias criativas de lançamento de álbuns, faixas soltas e a criação de campanhas exclusivas. Tem feito sucesso para vários artistas. Um recente exemplo do SXSW é a forma que o músico alternativo Rae Sremmurd lançou a faixa “Black Beatles” relacionada ao meme #MannequinChallange, o que o levou ao topo de algumas paradas da Billboard.

A música pode elevar experiências através da amplificação do momento.

Como música te faz sentir?
Stacey – Música me faz sentir tudo. A música pode elevar experiências através da amplificação do momento. Os sons se conectam nas memórias que marcaram a minha vida de forma particular. A música motiva, inspira, acalma e me desafia.

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A programação do festival já está disponível na página do site e ainda há ingressos para as palestras. Paralelo aos encontros profissionais do evento, o SIM também organiza shows de graça de Elza Soares & Liniker, Nomade Orquestra, Ceu, As Bahias e a Cozinha Mineira, Tássia Reis, Luiza Lian, Tagore, Isaar e Rodrigo Ogi no Centro Cultural Vergueiro e em diversas casas de show de São Paulo.

SIM SÃO PAULO
Data: 7 a 11 de dezembro de 2016, a partir das 11h
Local: Centro Cultural São Paulo e casas de shows (Auditório Ibirapuera, Estúdio Music Club, Z Carniceria, Centro Cultural Rio Verde, Jongo Reverendo, jazznosfundos, etc)
Ingressos no site: Semana Internacional de Música