Seu Jorge fala sobre seu novo álbum e diz que chamaria Ronaldo e Costinha para um churrasco

Seu Jorge nasceu Jorge Mário da Silva, geminiano de São Gonçalo. Primogênito de quatro filhos, teve uma infância difícil, mas tranquila, não muito diferente da vida de crianças brasileiras nas periferias. Perdeu um irmão em uma chacina e foi sem teto por três anos. Viu sua vida mudar com o convite para participar de uma peça de teatro. Atuou em  “Tropa de Elite”, cantou com Ana Carolina e em entrevista ao UOL, contou que chamaria Costinha e Ronaldo para um churrasco.

Uma década depois de lançar seu primeiro álbum, “Samba Esporte Fino”, “Música Para Churrasco”, o oitavo álbum da carreira, é o primeiro de uma série de três CD’s. Plural como os Silva, sobrenome que abraça famílias de brasileiros, Seu Jorge falou sobre o processo de gravação do álbum e o atual momento da sua carreira.

UOL Música: O que é “Música para Churrasco”, por Seu Jorge?
Seu Jorge: Música para churrasco é um disco de crônicas populares, de personagens completamente fictícios. São músicas para as pessoas ouvirem no final de semana nos seus churrascos, nas suas confraternizações. Gravamos o disco todo em quatro dias, ao vivo. Depois rolou a produção do Mario Caldato, que já trabalho com o Beastie Boys, Jack Johnson, fez também um álbum do D2 e do Nação Zumbi.

UOL Música: Como foi o processo de produção?
Seu Jorge: Surgiu tudo fresco. Estava fazendo um disco no ano passado nos Estados Unidos, o “Seu Jorge e Almaz”, e a gente tinha um espaço de tempo de um mês. Em outubro, a gente estava lançando aqui o “Tropa de Elite” e depois eu fui pra Europa fazer o lançamento do álbum com o Almaz e ao mesmo tempo fui gravando via Skype com os compositores daqui. Quando cheguei ao Brasil, discutimos algumas coisas, como quantas músicas teria, qual era a proposta do disco e assim foi feito. Nada muito elaborado, foi mais a necessidade de cumprir o prazo junto a demanda por esse tipo de gênero musical.

UOL Música: São três edições: Música pra Churrasco 1, 2 e 3? É isso mesmo?
Seu Jorge: É um desafio que nos demos, uma tentativa de superar cada álbum. Acredito que em julho do ano que vem já começamos tudo de novo.

UOL Música: Como você vê esse trabalho mais popular depois da proposta diferente com o Almaz?
Seu Jorge: Acredito que o público olha pro trabalho do Seu Jorge e entende que ele é semelhante, é da mesma origem. Só que eu percebo também que em certas situações, ele acaba identificando que a música é sofisticada. O nosso trabalho é extremamente popular, completamente diferente de, por exemplo, Seu Jorge e Almaz, e o público talvez entenda que o Seu Jorge é um artista apreciado por uma classe social um pouco mais privelegiada e, por isso, ele acha que a música também sofre essa sofisticação. No entanto, trabalhamos sempre na busca por um meio termo entre esses dois caminhos e pensamentos. Entendemos que a plateia enxerga o Seu Jorge como qualquer outro artista popular que ele goste, como Exaltasamba, Revelação, ou qualquer outro disco de música negroide, que é o que eu faço.

UOL Música: Qual o tempero do “Música pra Churrasco”?
Seu Jorge: Acho que a ideia foi traduzir um pouco essa diversidade. Apelamos pro fato de que a música brasileira em si já é diversa, já é plural. E se eu tenho essa pluralidade, a gente tem que trabalhar isso. Isso é o legal do álbum. Sai de uma experiência profunda, psicodélica e universal com o Almaz para fazer algo popular, bem brasileiro. Cabe à música ter uma atitutude de levar paz, descontração, dança pras pessoas. E “Música pra Churrasco” faz isso.

UOL Música: Como foi ser indicado ao EMA, premiação da MTV europeia?
Seu Jorge: O EMA foi uma surpresa. Passei dez anos trabalhando fora e isso nunca aconteceu. Nunca trabalhei pra isso. Mas acredito que a gente tenha sido reconhecido. É a soberania da música brasileira. O importante é a música brasileira ter esse espaço de apreciação em um momento em que o Brasil também está sendo apreciado. Espero que a gente consiga canalizar esse desenvolvimento em todas as áreas, inclusive na música. Fico muito feliz. Se tiver tempo eu vou, vai que eu ganho (risos). Já tô lá mesmo, pego meu caneco e volto (risos).

UOL Música: E o convite pra abertura dos Jogos Panamericamos?
Seu Jorge: Fiquei feliz com o presente do Panamericano, acho legal participar de uma cerimônia tão célebre. Por curiosidade, nasci em 70, ano em que o Brasil se consagrou no México – onde vai acontecer a abertura. Os mexicanos torceram muito pra gente. Eu trabalhei uma certa vez com uma mexicana, Angélica Aragon, que é uma Fernanda Montenegro, e espero encontrá-la. Sou muito amigo do Gael Garcia Bernal, que vai em todos os meus shows fora. Tenho tudo pra gostar muito do México (risos).

UOL Música: Você já trabalhou com a Ana Carolina, Marina Lima e outras parcerias na MPB, esse álbum tem alguma?
Seu Jorge: Não, nesse show, a princípio, sou eu cantando. As parcerias surgem espontaneamente. E tenho que agradecer que sou convidado por muitos artistas que eu gosto. Se puder, vou sempre tocar o máximo que eu puder com esses amigos. Acabei de participar do DVD da Sandy, que tá muito bom. O Junior arrebentou. A música brasileira nunca foi tão bem representada com essa geração.

UOL Música: E a sua vida como ator, como anda? Algum convite?
Seu Jorge: Sempre aparece roteiro, bons roteiros. Sou muito feliz atuando, passaria mais tempo fazendo isso, mas prometi aos músicos me dedicar um pouco mais. Toda vez que eu pego um filme tenho que me dedicar, aí a gente para um pouco. Então prometi a eles que me dedicaria dessa vez.

UOL Música: Uma década passou desde “Samba Esporte Fino”, seu primeiro álbum. Como você vê sua vida hoje?
Seu Jorge: Fiquei mais velho, tive filhos, andei o mundo inteiro, tive emoções fortissímas, fiz muitos filmes, alguns que vão ficar pra história do cinema brasileiro, e disso me orgulho muito, vi o mundo mudar. Uma esperança crescendo sob o meu país. E estou em um estado de espírito em paz. Tive 95% de aproveitamento dos meus projetos e estou muito agradecido à vida.

UOL Música: Cinco pessoas que você chamaria pro seu churrasco?
Seu Jorge: Bom. Primeiro chamaria cinco pessoas que não fossem vegetarianas né, churrasquinho de queijo ninguém merece. (risos). Tem que ser uns caras com o apetite da turma. Se pudesse, chamaria Zeca Pagodinho, o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldo Nazário. Outro cara que chamaria seria o Grande Otelo e pra fechar o Costinha. Ah, e se me permitisse, também chamaria o Wilson Simonal. Ia ser classe, não ia não? Gente com bom humor, com música, boas histórias de vida. É isso que esse disco pode ser. Se em torno de você, você produzir energia boa, você vai estar no centro disso sempre, cercado de coisas boas.

UOL Música: E o que tem que ter em um bom churrasco?
Seu Jorge: Carne fresca, cerveja gelada, gente feliz e animada, boa música e um dia de folga no dia seguinte, né não? (risos).


SEU JORGE EM SÃO PAULO

Quando: 7/10, às 22h
Onde: Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17955)
Quanto: R$ 150 (camarote setor I), R$ 130 (camarote setor II), R$ 120 (poltrona setor I), R$ 110 (poltrona setor II) e R$ 80 (pista); meia entrada disponível para todos os setores
Ingressos: pelo site www.ticketsforfun.com.br, pelo telefone 4003-5588 e nos pontos de venda credenciados

Entrevista publicada em UOL Música.