Nos últimos quatro anos, a DJ Lili Prohmann vem conduzindo a antiga música popular brasileira de volta às ruas e botecos em que nasceram. Batizada em homenagem a um clássico de Martinho da Vila, a Disritmia é “música para balançar”, descreve a criadora. Mas, a festa que hoje já recebeu cinco mil pessoas, cresce além das fronteiras dos clubes como ocupação musical. 

“A Disritmia surgiu em 2012 de um desejo meu de tocar uma música brasileira que não combinava com boates, noite, e tal”, explica Lili. “E também de formar público pra conseguir leva-los para lugares fechados, em que pagassem entrada. Doce ilusão. Estávamos, sem perceber, envolvidos na catarse coletiva de transformação do espaço público e fomos pioneiros no Rio em ocupação em massa (média de 5 mil pessoas por edição mensal) na praia.”

“É uma mistura de gente, de modos e comportamentos, entrelaçados por música brasileira ao ar livre, a beira-mar, transformando a forma de conviver com o lugar comum, o espaço coletivo e público”

Itinerante, a Disritmia já passou por quadras de escolas de samba, pela rua fervorosa do Rivalzinho e a orla da praia. “Vejo que muita coisa surgiu e teve que se reinventar. Ou mudar de nome, ou conceito, ou formato. No Rio, nos últimos três anos, cresceu muito a ocupação com festas na rua, de graça, em que o bar é solução para viabilizar. Na contramão disso, cresceu, mas acho que em menor escala, as festas caras, de 200 contos a entrada. O meio termo não existe aqui. Mas acho que em conceito, design de marca, de flyers, produção, relacionamento com outras marcas, as festas evoluíram muito, todas.”

Para Lili, a rua mais que um palco, é uma forma diferente de viver a cidade. ”Percebi que tocar na rua era mágico porque unia todos os passantes, aqueles desprevenidos de roupa de praia, outros super arrumados pra fazer a pré lá. Uma mistura de gente, de modos e comportamentos, entrelaçados por música brasileira ao ar livre, a beira-mar, transformando a forma de conviver com o lugar comum, o espaço coletivo e público”, conta Lili.

Apesar do otimismo em torno da festa, não há uma fórmula exata. Para conseguir financiar, ela já fez crowdfunding, incentivou o público a consumir no bar e passou o chapéu. Além disso, existe uma “burocracia analógica” que ela diz enfrentar por causa do Corpo de Bombeiros.

“Fizemos financiamento coletivo duas vezes para viabilizar a festa na rua. Na primeira, pra fazer a segunda temporada de verão, em que a média de público era de 500 pessoas, nós conseguimos financiar. Quando o público passou a 5 mil pessoas, fizemos a campanha de novo, pra fazer a terceira temporada, e não chegamos nem na metade da meta. As contribuições no chapéu também caíram com o crescimento do público. A comunidade é heterogênea”, comenta. Para Lili, outras duas festas que representam a nova cena underground do Rio são a Breakz (sempre gratuita) e o Baile do Zeh Pretin (caríssima).

Nós super recomendamos esse rolê caso você esteja de passagem pela cidade. Vai sair de lá bêbado 4h da manhã cantando “Piraaaanha, é um peixe voraz…”.

Respondeu a entrevista ouvindo Modeselektor – Hello Mom.
Foto de Michele Castilho.
Ouça os sets no Mixcloud.