Sábado foi dia de Rails Girls Berlin, uma organização formada por mulheres que querem aprender a programar em Ruby e se envolver nos bastidores da tecnologia. No começo me questionei o porquê de um curso só para meninas, apesar da notável diferença no mercado, o aprendizado é igual para qualquer sexo. Mas aí, entendi que a ideia vai muito além disso. 

Com a necessidade de crescer para empreender na Talaguim, tenho participado de alguns grupos profissionais formados por mulheres em Berlim, famosa por sua cena de startups emergente. Um deles é o WeFound, que incentiva estudantes a serem líderes e abrirem empresas, e outro interessante é o Momtrepreneurs, um grupo formado por mães que tentam conciliar família e realização profissional sem enlouquecer.

ruby_linda

Linda Liukas, criadora do RailsGirls

Achei o primeiro básico demais para o que precisava e o segundo bem fora da minha rotina atual. Foi aí que descobri o Rails Girls, organizado pela Ute Mayer, que ajuda nos seus primeiros passos na longa estrada da programação. Nunca fui boa em exatas, mas como muita gente, sinto uma necessidade constante de aprender algo novo (e ter uma carreira um pouco mais rentável do que o jornalismo).

O Rails Girls foi criado pela programadora Linda Liukas, de Helsinki. Ela rodou várias cidades do mundo dando workshops gratuitos e fomentando cenas locais. Na última vez que ouvi falar dela, seu primeiro livro “Hello Ruby“, que ensina crianças a entender os computadores desde pequenas, tinha arrecadado 185 mil dólares em dois dias no Kickstarter.

Confesso que criei alguns pré-conceitos. Principalmente quando cheguei lá e vi que o caminho do metrô até a Freie Universität era uma trilha de corações cor de rosa. Mas a verdade é que me apaixonei logo de cara. Não só pelos cartazes fofos e a boa vontade de todo mundo ali, mas pela comunidade. O evento era totalmente gratuito, o que foi possível graças a startups locais como o Soundcloud, a Hitfox e a DaWanda, uma troca que ajuda a diminuir o gap que existe no mercado.

Todo mundo leva um prato ou um quitute para o café da manhã, tipo jantar de fim de ano da família, e as organizadoras foram super fofas em preparar o almoço com comidas locais para cerca de 50 pessoas. O evento incluiu talks de programadoras que conseguiram entrar no primeiro emprego em até um ano ou que simplesmente escolheram programar por hobby. Só na Europa e nos Estados Unidos, estima-se cerca de 360 mil oportunidades para a área.

Untitled-2Depois de uma introdução aos programas, grupos são divididos e você é instruída a criar uma aplicação simples para web. Eles ensinam a usar o programa e tiram dúvidas de como funciona. A paciência dos tutores (sim, tem homens também, aprendendo e ensinando) é inesgotável e eles são orientados a te dar um feedback acolhedor quando algo não funciona. Assim com a vida, a web exige dedicação constante e os resultados são progressivos, o que pode acabar com os nervos de quem fica frustrada mais rápido. Ao mesmo tempo, todos os esforços são recompensados no browser e comemorados, um carinho na auto-estima.

Em um resumão, Ruby é uma linguagem de programação revolucionária. Desenvolvida por David Hansson, combina simplicidade e dinamismo na criação de aplicações web (a mais famosa criada com a ferramenta é o Twitter). Mas isso não quer dizer que ela seja simples, o que exige uma veia auto-didata e muita curiosidade. Além disso, o bacana desse projeto é que ele te re-ensina a aprender. Se algo não for fácil na jornada, e não vai ser, é muito bacana saber que tem uma comunidade tão disposta e aberta disponível. Se assim como eu, você está se aventurando pelo mundo tech ou começando a programar em Ruby, entra em contato! Vamos trocar ideias. :)

* Descobri que o Think Olga fez um post bem completo sobre o assunto, vale a pena.