A vida deve ser tocada no volume alto. É o que pensa Phanta, protagonista de Roly Poly, primeira graphic novel do paulistano Daniel Semanas, ilustrador e designer de animação. Recentemente adicionado ao hall de autores da prestigiada Fantagraphics, Daniel usa a história da personagem para colocar alguns de seus próprios questionamentos filosóficos sobre a vida e a fé em pauta. Em “Roly Poly”, a riqueza visual do Kpop encontra na psicodelia uma forma de encher os olhos do leitor de uma forma imersiva. Bati um papo com ele sobre o projeto que será lançado no Brasil pela Mino Editora.  

Como surgiu o projeto da graphic novel?

A ideia do projeto surgiu por volta de 2014, empolguei na ideia quando comecei a assistir a nova leva de clipes de kpop. Amei o apelo gráfico/ fashion dos clipes e pensei em fazer minha primeira graphic novel com uma história que acontecesse nesse ambiente. Tentei aplicar conceitos que estavam na minha cabeça na época, sobre relações humanas de um jeito que encaixasse nessa vibe kpop. Roly Poly é um projeto sobre percepção e sobre como as pessoas se motivam para alcançar seus sonhos, apresentado de um jeito pop e divertido.

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Quando começou o seu relacionamento com a Fantagraphics?

Era minha intenção desde o início publicar em uma editora internacional. Mirava em publicar na Coréia, Japão e Estados Unidos. Então fiz as malas e viajei até a Coréia e Japão com o boneco do livro embaixo dos braços para bater na portas das editoras de lá.

Enquanto isso meu amigo Grampá estava viajando pelos EUA e me fez o favor de tentar publicar por la, coincidentemente ele conheceu o Eric, editor da Fantagraphics, que conheceu o hq e se interessou em publicar. Pra mim foi uma surpresa e uma grande honra. Pelo oriente não rolou por enquanto, senti que o mercado lá é bem fechado para estrangeiros, a dica que recebi por lá era de publicar por fora e importar o livro como conteúdo estrangeiro, agora com a publicação pela Fantagraphics, acredito que as portas por lá  estão mais próximas.

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Imagino que como quadrinista você já fosse fã de alguns autores deles. Pode mencionar alguns?

Sim ! Fico honrado em estar no meio de artistas consagrados pela Fantagraphics. Sou fã do Daniel Clowes, Charles Burns, Crump, Chris ware, Inio Asano, etc.

Como foi seu processo de estudo do Kpop e desse visual mais psicodélico?

Sempre que crio projetos, penso sempre primeiro na parte gráfica, e a partir dai crio o conceito e a história que se aplique no que imagino graficamente, tanto que a história em si não é sobre kpop, mas acontece no universo kpop.

Convidei a Fernanda Garcia para me ajudar com a pesquisa visual e com o desenvolvimento dos personagens / universo. Fizemos uma seleção de clipes e identidade visual dos grupos mais famosos, que riamos tirar o melhor daquela estética, mas não nos limitando a beber apenas dessa fonte, a intenção era adaptar para uma pegada mais surreal / futurista / psicodélica, que condiz mais com o conceito geral da história da Phanta.

Pra isso, eu e a Fezinha fomos atrás de referências fora do kpop e do quadrinho, buscamos inspiração em moda / fotografia / design / filmes, etc. Separamos tudo que achavamos no pinterest / tumblr que poderia agregar para criar esse universo.

Visualizava o livro como um artbook, onde a parte visual fosse quase que o protagonista, foi um bom estudo de cores, ambientação, figurino e design de personagem.

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A animação é um teaser da HQ ou existe um plano de transformar em um filme ou série?

Sim claro! A princípio o teaser animado seria só para divulgar a graphic novel, mas como venho da animação, decidi aproveitar a brecha para apresentar o projeto como um possível filme / série animada. Dependendo da repercussão do livro, penso sim em direcionar os próximos passos para um live action ou animação, seria incrível!