Esta é uma época péssima para quem sonhou em trabalhar com jornalismo. Redações fechando, passaralhos, amigos queridos perdendo empregos, tempos de descontrução. Em contrapartida, no meu sincero otimismo, acredito ser um bom momento para ser leitora, principalmente do conteúdo que antes era rotulado apenas ‘para mulher’ e que agora renasce de uma forma descentralizada, prolífica e em torno do espírito de comunidade. 

Revista FarpaTambém observo isso aqui em Berlim, onde em uma volta pela cidade você encontra todo tipo de publicação segmentada, como a Missy Magazine. Também falei um pouco do mercado editorial francês em “Como os franceses estão reinventando suas revistas“. No Brasil, a Capitolina é igualmente interessante.

Dentro deste cenário de reconstrução e em busca de um conteúdo com mais representatividade nasce a Revista Farpa, criada por uma nova geração de artistas, escritoras, poetistas e jornalistas brasileiras. ”Uma publicação diversa com conteúdo produzido por mulheres – não a partir de um espaço cedido em feiras e concursos especiais, mas num espaço que nós mesmas criamos e conduzimos.”

A primeira edição surgiu no grupo do Zine XXX e está em busca de financiamento coletivo no Catarse, onde você pode escolher recompensas como prints e postêres de artistas. Entre as criadoras estão a Lila Cruz (já escrevemos sobre os quadrinhos dela aqui), além de Anelise do Pinho Cossio, Lorena Balbino, Raquel Vitorelo e Renata Nolasco, que são responsáveis pela curadoria, criação e que também emprestam seus textos e ilustrações para a Farpa.

Foram escolhidos 90 trabalhos entre 600 envios de meninas de todo o país, a curadoria é um pedacinho do que está rolando na produção artística brasileira feminista. Também estamos lá com um bate-papo que rolou com o teórico de HQs Scott McCloud aqui em Berlim, quando ele compartilhou suas dicas valiosas de como criar personagens. Com 10 dilminhas você já ganha o PDF da revista, mas tem muita recompensa caprichada. Colabora lá!