Se você curte quadrinhos e piadinhas sarcásticas, Liz Climo é uma boa ilustradora para acompanhar. Atualmente ela desenha personagens e é revisora de storyboard dos Simpsons, já trabalhou para a Pixar e lançou seu primeiro livro “The Little World of Liz Climo“, que reúne os seus melhores desenhos do Tumblr. Os traços são simples e com um tom infantil, mas sempre conseguem te arrancar alguma reação emocional, seja ela risada, fofura ou estranheza.

Nessa semana, encontrei um artigo dela super bacana explicando que as sacadas, assim como nos Simpsons e programas de humor, não surgem do nada. E no texto ela explica como funciona o seu processo criativo. Tomei a liberdade de fazer uma livre tradução para inspirar vocês a driblar a página branca e a sensação de vazio da tela inicial. 

“Há algumas semanas alguém me escreveu no Tumblr perguntando como as minhas ideias aparecem. O leitor disse que é um aspirante a artista e que seu maior problema é encontrar inspiração. Ele explicou como ele passa longas noites olhando para uma tela em branco, e estava desistindo da arte. Respondi admitindo que tinha passado a última hora olhando para a mesma tela de computador em branco, completamente sem inspiração, quando finalmente decidi fazer uma pausa para responder alguns emails.liz_climo

Passei a maior parte dos meus vinte anos desligada da arte. Embora trabalhasse como artista, nunca me considerei realmente uma. Odiava meus próprios desenhos, sentia que eles eram muito rígidos, faltava construção e energia. Debilmente eu tentava desenhar algo diferente, o traço que “supostamente” deveria fazer, mas sempre voltava para o meu próprio estilo. Eventualmente, comecei a fazer coisas que me forçaram situações desconfortáveis, como ter aulas de improvisação e cantar no karaokê. Percebi que se eu era terrível em algo e parecia uma completa idiota fazendo aquilo, a pior coisa que poderia me acontecer era além de ser terrível, parecer uma completa idiota fazendo algo. Mas não é um problema tão grande quanto parece. Então, comecei a desenhar do jeito que gosto e postar meus desenhos online. Não que eu goste de como desenho agora, só estou muito mais confortável com quem sou. Quando postei um dos primeiros quadrinhos no Tumblr, ainda não tinha certeza do que iria publicar ou a razão da página.

No mundo ideal, as minhas idéias só surgem na minha cabeça. Estas são geralmente as melhores idéias, as histórias em quadrinhos que mais me orgulho. Outras vezes, me sento com a intenção de fazer uma história em quadrinhos, e geralmente faço uma pesquisa de imagens de animais no Google ou coisas como animais + engraçados ou animais + bonito, ou animais com pescoços longos, etc, e tento ter ideias dessa maneira. E depois há os momentos em que vou só sentar e tentar forçar algo a sair da minha cabeça. Essas são as vezes tela em branco, as vezes em que normalmente tenho um mini ataque de pânico e me pergunto ‘o que aconteceria se nunca mais tivesse uma ideia?’. Felizmente, me distraio fácil. Quando isso acontece, geralmente entro no Facebook ou me faço um sanduíche e minha ansiedade desaparece.

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Estava tentando pensar em uma história em quadrinhos com uma cascavel por um tempo, mas não conseguia pensar em nada que já não tivesse sido visto antes. Então essa idéia surgiu e pensei “isso é ridículo!”, então desenhei


Quando tenho uma ideia, mesmo que seja terrível, vai ser finalizada e publicada no Tumblr ou não sou capaz de seguir em frente com a minha vida. Publiquei todos os quadrinhos que já fiz, e faço acabamento em cada quadrinho que já comecei mesmo que os odeie. 

Por alguma razão, não sou capaz de passar de uma idéia para a próxima até a primeira ser executada (e para mim, por algum motivo, isso também significa publicá-la para todo mundo ver). Hesito em antecipar ‘a próxima coisa’ porque percebo o quão estúpida ela vai soar. Mas quando penso em uma história em quadrinhos, ela precisa existir. Quero que ela tenha uma chance no mundo antes que eu possa seguir em frente. E se não for bem recebida, penso “Ah, tudo bem caras. Ainda gosto de vocês. “

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Não gostei desse comic quando desenhei. Continuou no meu desktop. Fui para a cama e olhei para ele novamente na manhã seguinte e ainda não tinha gostado. Postei ele sem pensar e acabou se tornando um dos meus quadrinhos mais populares.


Felizmente, quando estou travada, tenho alguns personagens prontos e com quem me sinto muito familiarizada, e é geralmente mais fácil para mim fazer quadrinhos com eles. Desenhei eles o suficiente para sentir uma conexão. Então quase posso pensar neles como amigos para colocar em situações absurdas. O coelho e urso são sempre inspirados por meu marido (o coelho sarcástico, inteligente) e eu o urso desajeitado, ridículo. O lagarto-cobra assumiu a persona do meu bom amigo Edwin, que é uma das pessoas mais amáveis ​​que conheço. 

Às vezes só quero desenhar um animal, mesmo que não tenha uma idéia. Só penso: ‘Tenho que desenhar um rinoceronte!’ e ele tem que acontecer. Se não consigo pensar em nada engraçado, tento desenhar algo que pode me fazer feliz se eu ver. Tenho em mente alguns dos e-mails maravilhosos que recebo dos fãs, e tento desenhar algo que possa fazê-los felizes. Há um monte de coisas realmente perturbadoras na internet, por que não fazer algo meio que legal?

Mesmo se ficar sem ideias, não acredito que vá parar de desenhar esses personagens. Mesmo que isso signifique ficar sentada e olhando para uma tela em branco, completamente sem inspiração, vou desenhá-los, porque quero ver o caminho que eles vão seguir. E mesmo que exista um lugar especial ou a recepção maravilhosa e surpreendente que eles receberam desapareça, vou pensar feliz comigo mesma “Tudo bem, caras. Ainda gosto de vocês.”

Eu estou indo ali pegar minhas canetinhas, e vocês?
A versão original está em On Being a Cartoonist. E aqui embaixo, nossos favoritos. ♥

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