O garoto de corte de cabelo perfeito, que fez corações juvenis se derreterem em letras apaixonadas na adolescência, se transformou em um homem que queria mudar o mundo com sua poesia. Se tornou o marido que deixou uma das maiores bandas de rock da história para viver o grande amor da sua vida. Ganhou respeito como ativista político, amadureceu um grande músico, criou um ícone de si mesmo e tudo o que já vimos em especiais e documentários por aí. E o diretor Sam Taylor Wood vem virar essa história do avesso.

No último dia 3 de dezembro, as salas de cinema brasileiras receberam “O Garoto de Liverpool”, filme-biografia de John Lennon. Mas se você for ao cinema esperando ver o primeiro show dos Beatles no Cavern Club, vai sair da sala frustrado. “Nowhere Boy” (o nome original do filme) sai totalmente do universo da febre beatlemaníaca para abordar sua adolescência conturbada e ao mesmo tempo tão próxima do nosso cotidiano.

Lennon é apresentado ao público com cerca de 16 anos, tendo seu primeiro contato com a música por meio de aulas de gaita com seu tio George (David ThrelFall). Depois de passar a infância na dúvida de quem e como seriam seus pais, Lennon conhece a mãe Julia (papel de Anne-Marie Duff) tarde e tem com ela seu primeiro contato com instrumentos como o banjo e ukelele e todo o rock and roll e sua sexualidade.

A primeira banda de Lennon foi o “The Quarrymen”, nome referência a escola onde estudava na fria e industrial Liverpool, a Quary Bank Grammar School. A banda foi o berço criativo de Lennon e também onde conheceu os futuros Beatles George Harrison e Paul McCartney. No filme a relação de competição com McCartney é mostrada quando Paul se oferece a entrar para a banda e mostra que tem talento quanto John na escola.

Os pontos-chave do filme, e também de sua vida, são a relação autoritária com a tia Mimi (Kristin Scott Thomas), a descoberta e morte da mãe Julia e do tio George e a gravação da primeira música com a banda “I Lost my Little Girl”.

Quem acompanhou a carreira de Lennon, certamente já sabe de todas essas informações, mas o bacana do filme é que ele desconstrói o ícone e mostra justamente seu lado mais moleque, perdido, mulherengo e valentão. Coisa que é tão comum para a idade, mas que para um ídolo se torna uma forma de perder a aura de “o que ele tem/fez para ser tão especial?”. É óbvio que ídolos são pessoas normais, mas às vezes uma vida comum torna essa resposta um tanto sem graça.

Os ingleses Aaron Johnson (que interpreta John Lennon) e Thomas Sangster (Paul McCartney) mostraram boa atuação e intimidade com os personagens, mas não me criaram uma boa associação com os originais. Alguns críticos analisaram o filme com “Fantástico”, “extraordinário”, mas no fim ele não é nada disso.

“O Garoto de Liverpool”, é um filme sobre um adolescente comum, com problemas e dores reais, sem dinheiro no bolso, que não tem as melhores notas na escola, venera rockstars e convive com todo seu universo de sonhos e expectativas. Sem nada mágico, sem nada especial. E isso é o mais fascinante.

Veja fotos das cenas:

Track list da trilha sonora do filme, que também mostra suas primeiras músicas e influências.

01.Jerry Lee Lewis – Wild One [01:54] 02.Dickie Valentine – Mr Sandman [02:17]
03.Jackie Brenston & His Delta Cats – Rocket 88 [02:49]
04.Elvis Presley – Shake, Rattle & Roll [02:28]
05.Wanda Jackson – Hard Headed Woman [01:59]
06.Screamin Jay Hawkins – I Put A Spell On You [02:27]
07.The Nowhere Boys – Maggie May [01:56]
08.The Nowhere Boys – Thatll Be The Day [02:10]
09.Eddie Bond & The Stompers – Rockin Daddy [01:59]
10.Eddie Cochran – Twenty Flight Rock [01:45]
11.The Nowhere Boys – Thats Alright Mamma [01:55]
12.The Nowhere Boys – Raunchy [02:04]
13.The Nowhere Boys – Movin and Groovin [01:33]
14.Big Mama Thornton – Hound Dog [02:51]
15.Gene Vincent And The Blue Caps – Be-Bop-A-Lula [02:36]
16.Aaron Johnson – Hello Little Girl [01:51]
17.The Nowhere Boys – In Spite Of All The Danger [02:54]
18.John Lennon – Mother [03:50]

Assita ao trailer legendado do filme:

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#ONMary.