“Eu me lembro, estava muito frio, mas o público foi incrível, eu realmente me apaixonei”. É assim que a cantora russa Regina Spektor relembra sua primeira apresentação no Brasil, no festival SWU, em 2010.
Com uma voz doce e baixa, quase em tom infantil, Spektor falou com sobre suas apresentações em São Paulo, nesta quarta (10), e no Rio, que ela “mal pode esperar para conhecer”, na quinta.

Em sua segunda vez no país, Regina traz “What We Saw From the Cheap Seats”, álbum lançado em 2012 e diz que o público pode esperar um show “com mais espaço, mais tempo e mais confortável” do que no SWU. “É mais selvagem tocar em festivais, mas são os fãs que conduzem a apresentação. Gosto de poder tocar o que quero e o que acho que cabe no show”, justifica.

Eu realmente amo cinema. Eu acho mágico, gosto de dar uma cara surrealista aos clipes

Do Brasil, a cantora diz que ainda não conhece muito sobre música, “apenas os clássicos”. “Eu gosto muito de Tom Jobim e samba, mas espero poder conhecer mais coisas durante essa visita”.

Sobre o setlist, os fãs podem esperar o prolífico repertório da cantora, que disse em entrevistas ter centenas de músicas habitando sua cabeça e que só saem de lá para a sala de gravações. “Acho que provavelmente será meio a meio. Eu gosto de tocar as músicas de meu novo álbum na turnê e ainda estou tentando divulgá-lo, mas também teremos músicas dos primeiros discos”.

Com seis álbuns lançados em 12 anos de carreira, Regina diz que já está ansiosa para lançar seu próximo trabalho, e que “a vida na estrada é muito inspiradora”. “Eu definitivamente devo lançar algo quando esta turnê acabar”, comentou.

Outro tópico comentado pela cantora são seus clipes, sempre com algum truque visual e cenários malucos, como o de “Fidelity”, que mostra a cantora tomando chá com um homem sem cabeça ou “Better”, em que mulheres com seu mesmo figurino e corte de cabelo dançam em um campo.

“Eu realmente amo cinema. Teria trabalhado com isso se não fosse cantora. Algumas amigas muito talentosas me introduziram neste universo. Eu acho mágico, gosto de dar uma cara surrealista aos vídeos”, comenta.

Regina, que apesar de ter nascido russa mudou com a família ainda na infância para Nova York, também comentou o caso das integrantes do Pussy Riot, banda punk russa presa após protestos em uma igreja ortodoxa em Moscou.

“Como artista, eu definitivamente acho que devemos ter o direito de fazer um discurso livre. Mas na Rússia é muito difícil lutar dessa forma. Eu achei a punição muito severa. Mas também entendo que elas entraram em uma igreja, um lugar sagrado, com o rosto coberto com máscaras, as pessoas acham que vão morrer nesses momentos de medo, elas assustaram as pessoas que estavam lá. Meu coração fica em uma situação difícil, o ataque foi muito intenso, mas a punição também foi exagerada.”