O produtor paulista Raphael Bertazi não é o tipo de artista que tem pudor musical. Já misturou Rage Against The Machine e Companhia do Pagode, David Bowie e Gaby Amarantos e Caetano Veloso com a trilha sonora do jogo Super Mario Bros.

Nesta semana, ele lança “Voz da Astúcia”, que mistura a trilha sonora da introdução de Chapolin com trechos de “Voz Ativa”, dos Racionais.

Bertazi explica porque juntou os rappers e o personagem criado por Roberto Bolaños. “Pra mim os dois são heróis. O Chapolin é um personagem fictício e o outro é real, e cada um tem um tipo de linguagem. O Racionais tem um discurso mais direto do rap e o Chapolin é mais do lado do humor, pensei em traçar esse paradoxo, gosto muito de rap, sou fã dos Racionais e assisti muito Chapolin.”

A música mais ouvida do produtor atualmente é o clássico tropicalista “Alegria, Alegria” em 8-bit, com mais de 50 mil plays na página do Soundcloud. “Às vezes eu pego uma música que eu gosto e procuro algo que combine muito ou que não tenha nada a ver. Essa do Mário é um remix em 8bit, algo que já acontece bastante lá fora [no exterior]. Então pensei fazer isso com uma música brasileira, e essa porque é emblemática.”

Para Bertazi, a faixa que mais despertou a fúria dos fãs foi a mistura de Rage Against the Machine em “Revoltinha da Garrafa”, com o grupo de axé. “Tem alguns que acham engraçado, mas nem todo mundo ouve todo tipo de música, ouve só rock, por exemplo. Essa faixa a MTV exibiu e o pessoal comentava muito, ficava bravo.”

Chapolin Colorado vs. Racionais MC’s – Voz da Astúcia (Bertazi Mashup) by Raphael Bertazi

O produtor quer que o projeto, que surgiu por causa de uma mistura de Roberto Carlos com Blondie, chegue às mãos dos artistas. “Eu comecei com Roberto porque ele é meu ídolo. Mas ele nunca ouviria meus remixes, por isso fui passando por artistas mais acessíveis. Fiz o da Gaby Amarantos com Bowie, mandei pra ela e acabei conhecendo ela ao vivo por causa disso. Ela disse que gostou muito”. Outra vontade de Raphael é enviar o mashup com Chapolin para o Mano Brown.

Sobre a polêmica envolvendo o uso de samples, que fez o australiano Gotye pagar US$ 1 milhão à família do brasileiro Luiz Bonfá, o produtor diz que não tinha pensado sobre o assunto. “É uma discussão complicada, ainda não estou muito bem informado. Sample é uma colagem, e você cria outra música a partir dali, você mistura. Claro que todo mundo tem que ter autoria, mas se tiver uma forma organizada de venda, a ideia é que o artista vire um parceiro. E ai tem que se pensar numa maneira de valorizar todo mundo. Quem faz sample também é artista, é uma música nova, uma releitura. Tem bastante artista que é parceiro e gosta de mashup.”

Matéria publicada em UOL Música, onde você também encontra um álbum com duetos improváveis.