Prestes a completar 50 anos, o DJ e produtor britânico Fatboy Slim estará  no Brasil a partir do dia 3 janeiro, quando traz a megaprodução “Big Beach Bootique” para Santa Catarina. Após passar por altos e baixos que envolveram duas internações em clínicas de reabilitação por causa de alcoolismo em 2009, quando ele disse sentir medo de nunca mais conseguir tocar sóbrio, Slim conta que está mais “relaxado e estabilizado”.

“Naquela época, não imaginei que tocaria por mais dez anos. Mas agora me sinto mais saudável e feliz e isso me ajuda a fazer as coisas melhor”, comentou o produtor em entrevista por telefone. O produtor de sucessos como “Praise You” e “Rockafeller Skank” se batizou Norman Cook. “Norman na Inglaterra é um nome muito tedioso, só usado pela minha família. Fatboy Slim é meu alterego, significa irresponsável animal de festa.”

Apesar do lado irresponsável, Cook conta que hoje já sabe se dividir do personagem que criou. “Por dez anos eu só vivi como Fatboy Slim, mas agora posso separar os dois. Posso viajar, tocar, ir para o Brasil e então volto para a minha família e a ser Norman de novo.”

Casado com a apresentadora de TV britânica Zoë Ball e pai de Woody Fred Cook, 12, e Nelly May Lois, 2, o DJ diz que “infelizmente” viajará sozinho para o Brasil. “Eu toco todo dia até as seis da manhã, não é um lugar para crianças ou mulher”.

Após diversas passagens pelo país em festivais como Pop Music Festival, em 2011, e Ultra Music Festival, em 2010, além de apresentações no Carnaval de Salvador, Fatboy apresenta a “Big Beach Bootique” em Balneário Camboriú, no início de 2013. “Aqui o show ficará maior, geralmente eu simplesmente toco para as pessoas, não tenho solos de guitarra ou pessoas correndo pelo palco, então a tentativa é de tornar o show mais visual”, explica.

O setlist deve ser preparado durante o show, mas ele garante seus hits e alguns remixes famosos, mas não comerciais. “Não são músicas comerciais, como David Guetta e Will.I.Am”, adianta. “As pessoas conhecem meu estilo por ser provocativo e sujo. No geral, será uma grande festa na praia”.

Sobre o público brasileiro, Fatboy diz que o que mais admira no Brasil é o fato dos brasileiros se orgulharem do país. “Quando eu toco ‘Put Your Hands Up From Brazil’, as pessoas realmente se emocionam e levantam as mãos. Se tocasse essa música na Inglaterra, as pessoas diriam: ‘bem, ele não está pensando sobre os desempregados e as revoluções’. Não somos tão orgulhosos do nosso país quanto vocês”.

O sucessor do álbum “Palookaville”, seu último projeto solo, inédito e de estúdio, lançado em 2004, é o único assunto do qual o produtor desvia. “Realmente tenho essa ambição, ainda não sei pra quando. Nesse momento só estou curtindo ser DJ.”

 

TOP 5 SHOWS

Com quatro álbuns lançados e 30 anos de carreira, o produtor listou os cinco momentos mais marcantes de suas três décadas como DJ. “A primeira vez que toquei no Carnaval de Salvador, por quatro horas em cima de um trio elétrico foi incrível. Também incluiria todas as vezes que estive no Brasil, foi uma experiência espiritual importante pra mim”, explica.

O show no encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres também foi relevante. “Foi muito bom representar o papel da música eletrônica na Inglaterra”. Ele encerra a lista com todas as festas que tocou em Bringhton, porque é “sua cidade natal” e todas as vezes que viajou para Ibiza. “Vou para lá todo ano e foi lá que conheci minha mulher, com quem estou há dez anos”.

Entrevista publicada em UOL Música.