Na última semana rolou Graphic Days, um das feiras de design e ilustração mais legais de Berlim. Criada há três anos pelo coletivo Berlin Pieces, a ideia surgiu dentro do Katerholzig (hoje Katerblau), um bar-balada-squat que promove arte, música e gastronomia nos moldes noventistas da cidade (leia nossa série sobre a cena criativa após a Queda do Muro).

Neste semestre, com o olhar mais apurado, foi legal conversar com novos artistas (vamos trazer mais posts e entrevistas na sequência), a evolução da relação com o público e a pergunta mais ingrata de todas: se render ou não ao que vende? Tudo pode virar uma forma de levar uma arte única pra casa e apoiar um ilustrador. A feira surgiu de um movimento da cultura independente da cidade, mas está crescendo como um evento que reúne diferentes públicos.

Como participar?

Para quem tem planos de viajar pela Europa, eles começam a selecionar artistas com cerca de dois meses de antecedência. Geralmente a feira tem uma edição de inverno (em janeiro) e outra no verão (em agosto). Músicos e DJs também podem se apresentar, seja chegando no balcão com um violão e muito jeitinho ou conversando com a organização antes (o ideal).

Nossa dica é buscar sempre pelo verão, quando a cidade está cheia e outros eventos acontecem simultaneamente, o que te garante vender mais, conhecer mais gente e aproveitar o melhor da cidade. Pra muitos ilustradores que encontrei, o último dia de venda geralmente é fraco, os outros compensam, por isso é legal se informar com os mais experientes e descolar alguns macetes.

Para ficar de olho nas datas, é só seguir a página do Facebook. Geralmente a mesa custa entre 80 e 100 euros. Com um pouco de atenção pros contatos no grupo, rola dividir com alguém. Neste semestre, encontramos gente de Lyon, Budapeste, Bali e Jamaica, a organização é super aberta, então o lance é caprichar no portfólio e mostrar que você tem o mínimo de estrutura.

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A foto aqui de baixo é uma parceria com o Boards Without Borders, uma organização que reúne grana com shapes customizados para promover arte, educação e skate na Índia.

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os favoritos

Na última edição, em janeiro, destacamos o trabalho da ilustradora Ola Liola. Neste semestre, vou fazer diferente. Por isso mostro aqui alguns dos prints que trouxe pra casa e outros que estão na minha listinha. Essa é só a primeira parte do post, então nos próximos dias você vai ver mais sobre os artistas que encontrei em posts mais detalhados.

Christopher Kieling: Artista gráfico alemão, Kieling criou essa série de quadros em tinta acrílica que retrata manifestantes. Também é conhecido por pintar animais e monstros em preto e branco nas ruas de Cologne. Veja mais aqui.

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Joanna Wears Boots é uma ilustradora argentina, de Bariloche. Monstros, bodes e mulheres de três olhos fazem parte das suas ideias inspiradas no universo gótico. Gostei e não comprei, os prints custavam 40 merkels e isso em dilmas, afe, melhor nem dizer. Mas a banca dela era puro capricho e uma das primeiras, logo na entrada.

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Gelada é um estúdio de design de Tel Aviv, em Israel, que cria o próprio tecido paras suas bolsas e camisetas de forma ecológicamente correta. As ilustrações são as mais variadas. “Tshirts, Graphic Design, Visual Arts, Vintage Futuristic Design & Art, DeadHeads, Poetry, India, Broken Ideas, Arak, Aviation & Bob Dylan”, é como descrevem o trabalho.

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Continua, hein? Não some não! :)

E um obrigada à organização pelos convites em cima da hora. <3