O último grande festival do ano teve ingressos esgotados pouco tempo depois de iniciar suas vendas. Quem achou que os cambistas iriam dar conta, se enganou e os arredores do Playcenter no último sábado (20), em São Paulo, viraram um verdadeiro palco de angústias para os desamparados.

Muita gente procurando por ingresso com placas, cambistas desesperados tentando comprar e o som rolando dentro do festival ajudando a dar uma alfinetadinha em quem estava do lado de fora. Dessa vez quase me dei mal com a minha mania de deixar as coisas para a última hora. A sorte foi que já tinha combinado um ingresso meia de professor (não, não sou professora) com um cara do interior que entrou com o ingresso e não vendeu. Arrisquei entrar sem carteirinha e deu certo.

Cheguei por volta das 19h para ver os shows gringos. Veja abaixo alguns pontos altos e baixos do festival.

Os purpurinados

O cantor libanês radicado em Londre, Mika, soltou a franga e divertiu o público com uma verdadeira balada gay no palco com direito a drags, super produção visual e muita purpurina. Tocou hits como “We Are Golden”, “Grace Kelly” e “Take it Easy” e lembra muito ícones pop como Prince e Freddy Mercury. Achei divertidíssimo.

No indie stage, o Empire of the Sun, foi uma das atrações mais bizarras que vi na minha curta vida de experiências musicais. Performático, Luke Steele tentou convencer o público com muita performance, e vai, tudo bem até tinha um pouco de som. Mas mulheres peixe chacolhando a flacidez do corpo? Look do futuro que é mais do passado que andar pra frente? NEXT!

Os indies

Primeiro que quem foi pra ver Daft Punk no máximo passou por algum motoqueiro na Marginal. Na real não curto o termo “indie”, não sou indie, na real acho até meio ultrapassado usar esse termo. Mas enfim. Seguimos.

Dei uma passada no Yeasayer e achei bem legal o que ele faz ao vivo. Demorei um pouco pra entender o que ele estava tentando tocar, mas curti algumas músicas ao vivo, especialmente “Waiting for the Summer” e “Ambling Alp”.

Phoenix foi tudo nessa vida. Vi o show a metros do palco, sem área VIP pra atrapalhar, e deu pra sentir cada segundo do show. Tirando o DJ estagiário que tocou o remix da banda feito pelo produtor Alex Metric minutos antes dos caras entrarem, a apresentação foi muito marcante.

O show foi aberto com “Liztomania” e seguiu com as faixas de “Wolfgang Amadeus Phoenix”, também conhecido com O álbum de 2009. Thomas Mars estava doidão, deitou no chão, brisou, voltou, brisou de novo e se jogou na plateia, um momento louvável. Pirei em “1901″, “Fences” e… Na real pirei em quase todas.

Perdi Hot Chip? Perdi, nessa hora tava de ponta cabeça no Looping Star.

Os tiozões

Bom vamos começar com Pavement. Primeiro que já cansei de ouvir saudosismos. O famoso “não é da sua época” e todo esse blá blá blá. Primeiro que tenho 23 anos, não sou um alienígena. Segundo que respeito a banda, o que ela fez e até gosto de algumas músicas como “Unfair”, “Stereo” e “Shady Lane”, do “Brighten the Corners” e ouvi essas lá. Mas não era o caso de colocar os caras depois do Phoenix com o público fervendo. Teve gente que curtiu? Muita gente. Mas a real é que a maioria aproveitou a hora pra dar uma descansadinha e relaxada nas pernas. Renderia muito mais em uma noite em uma casa de shows fechada pra fãs.

Aí você pensa “Não, ouvir ‘Perfect’, ‘Today’, ‘Bullet in the Butterfly Wings’ vai salvar a noite”. Mas não caro amigo, não só eu como muita gente se enganou. Nunca sai de um show tão frustrada. Além das músicas estarem mais agudas que o que costumamos ouvir no álbum, a banda não tinha nenhum entrosamento no palco. Essa baixista nova não tem metade do charme de Melissa e Darcy. O baterista mirim arrebendou em solos, numa bateria com um cavalo e um arco-íris (??) acompanhada de uma faixa amarrada em sua cabeça à la Daniel San.

A verdade é que parecia que cada um estava tocando em alguma banda. E eu esperei paciente música após música a situação mudar, mas só piorava. Corgan tava frenético. Surtou, raspou a guitarra no chão, tocou as cordas com a boca, enfim, fodeu tudo. E eu tentando explicar pro meu namorado o quanto as músicas eram legais e eles estavam acabando com aura da banda.”Mellon Collie and Infinite Sadness” foi o álbum da minha adolescência. Pelo menos o Corgan devia largar de ser safado e usar só o nome dele, não jogar o nome da banda na lama. Preferia não ter visto. Brigou, brigou tanto com o Pavement e no fim não ficou bonito pra ninguém.

Nessa hora saí pra ver cinco minutos de Girl Talk e encontrei Gregg Gills sem camisa pulando com umas 20 pessoas em cima do palco. Ele até tem umas produções legais, mas esse finzinho de show ele achincalhou e não ficou muito bonito.

No fim o festival foi muito divertido, com line-up feminino, como diz um amigo e bem organizado, levando em consideração as outras opções no ano. Vamos ver o que rola o ano que vem, além de SWU e Natura, vem Rock in Rio. Eles vão ter que suar a camisa.

Nota: ♫♫♫♫