Duas da manhã. Não planejei o que escrever hoje.

Para os criativos fãs das madrugadas insones, este é o horário da primeira crise de cansaço. O corpo e os olhos querem repousar, mas a cabeça ainda está muito ligada para deitar no travesseiro. É aquela hora perigosa que o limbo do scroll no Facebook tenta te seduzir. Você bloqueia a aba no navegador. Depois de um dia inteiro de trabalho, é no silêncio e na calmaria noturna que as ideias adormecidas pela rotina podem surgir. E é lá pelas 3h ou 4h que a insistência começa a inspirar. Aquele horário que a ausência de filtro do daydreaming e sensação de estar meio bêbado de sono se mistura a um último fio de lucidez, o necessário para digitar.  

Dizer qual o melhor para você, nosso caro leitor, é difícil. Cada um tem hábitos e obrigações diferentes quando o despertador toca suavemente e irritante às 9h. Muitos amigos escrevem boas matérias noturnas, mas prefiro deixar a sobriedade da reportagem para o dia, quando você pode checar informações, fazer uma revisão criteriosa. No geral, quando você começa a escrever, passar por este otimista mapa mental ilustrado pela Anne Emondmentalmap

Gosto de madrugadas experimentais. Funcionam melhor para escritas soltas, desprendidas, para escrever sem filtro e descobrir (ou redescobrir) seu estilo. Para criar ficção, romance, monstros espaciais ou poesia. Aquela hora que você se libera para ler e escrever o que quiser, fora de manuais de estilo e edições. São 3h e o texto parece fazer um pouco de sentido. Bom, vamos às dicas.

Livro e carboidrato, um flerte fatal

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Se você planeja ficar acordada na madrugada, saiba que às 3h30 começa a bater uma fome insana. Afinal, você jantou aquela sopinha às 22h, mas esse é o momento que o seu corpo pede uma pizza, uma massa, uma coxinha, algo gorduroso e cheio de colesterol. A ideia surge quando você sacia a inspiração. Sei lá se isso faz sentido, talvez seja a minha fome delirante batendo, mas a dica é: se você está num dia mais leve, rola resolver com um chá e um biscoitinho. Se quiser mandar ver na pizza, mande sem culpa, é assim que a vida tem que ser vivida. O importante é não deixar a ansiedade enlouquecer.

Ficar bêbado pode ser um tiro no pé

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Ok, a gente sabe que o Bukowski escreveu livros incríveis regados a ressacas e bebedeiras. “Write Drunk, Edit Sober”, diz Hemingway. Mas se eles tivessem Facebook, a história teria sido outra. Na vida real, em uma terça-feira, se manter acordado com duas ou três taças de vinho pode ser difícil, a espiada no e-mail fica perigosa, você acha que pode resolver coisas que no outro dia, bem, o cliente não entende nada. Com cerveja rola, mas é preciso saber o limite entre o copo e o teclado. Se você passar muito do ponto, vai terminar a noite escrevendo versos românticos de gosto questionável no whatsapp e enviando para quem não devia. Mas se você fizer tudo isso, óbvio, conta pra gente.

Comece mesmo que não tenha nenhuma ideia

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Se você teve uma ideia o dia todo e não colocou em prática, o tesão é chegar e despejar ela de uma vez naquela página cretina do Word que insiste em ficar branca. Mas se você não pensou nada em especial, bem-vindo a vida real. Não deixe a folha em branco e a procrastinação dominar. Comece com o que tem na cabeça e se deixe levar. Não vai nascer perfeito. E ao contrário do que a sua mãe falou, você não é um gênio, sorry. O melhor jeito é praticar.

Aditivos para a criatividade

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A regra dos entorpecentes é a mesma que vale para bebida, mas com um adendo especial. Acho que os mais tranquilos são o café, que cumpre muito bem o papel de te deixar acordado caso você queira ir além, e derivados da cannabis que podem relaxar e te deixar realmente criativo sem uma ressaca de dia seguinte. Na real, o tópico entorpecentes merece cuidados e um texto a parte. Acho difícil rolar algo como em outras áreas artísticas, como o desenho, que já tem várias séries com ilustradores doidões. Mas, né?

Escreva à mão e como se ninguém estivesse vendo

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Você ainda lembra como? Se sim, vale a pena. É um exercício bacana escrever algo que não necessariamente será compartilhado e que estará melhor escondido do que qualquer arquivo do seu computador, afinal, quem lê papel hoje em dia, né? (tu-dum-tsss). Você pode ser seduzido a publicar, mas no começo é bom guardar, reler de novo em uma semana, se entender melhor com seu texto e com você mesmo.

Não se deprima

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Essa é só sua primeira noite. Para ajudar, temos esse infográfico muito legal mostrando quais os horários de pico da produção de grandes escritores, de Murakami a Fitzgerald. E ainda indicamos esse post falando sobre como Stephen King concilia os momentos de lucidez e sonho enquanto escreve seus suspenses.

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São 4h da manhã. Até que rolou, né?

* a foto do topo é a nova edição da capa de “Maps of Imagination: The Writer as a Cartographer