Inspirado pelo que chama de “curadoria musical”, o nova-iorquino David Porter deixou de lado a ideia de trabalhar como um executivo de Wall Street para investir suas energias em uma startup musical. Fã de música eletrônica e da função do DJ, ele fundou o 8 Tracks para que as pessoas pudessem experimentar e compartilhar mixagens online em uma rádio colaborativa. Conheça mais sobre o projeto clicando em mais.

Quem é David Porter

Idade: 40
Música é … a vida
Sonho: Felicidade
Liberdade é: Mais importante do que a maioria das pessoas imagina e muitos tomam como concedido.
Último show que viu: Fuck Buttons em NYC e SF
O melhor de sua lista: eu gosto muito das minhas mixtapes, mas esta foi um bom começo: http://8tracks.com/dp/summering-in-the-city-08
O pior de sua lista: http://8tracks.com/dp/sai-random-shit
Últimos downloads: Slowdance (Bear in Heaven Remix) por Matthew Dear
Três projetos musicais que você admira: SoundCloud, Hypemachine, Last.fm
Se você fosse uma música, qual seria: “Temptation”, do New Order

Você se lembra da sua primeira mixtape?

Lembro. Foi no início de 1983 e tinha Der Kommisar do After the Fire, Tainted Love do Soft Cell e Overkill do Men at Work.

A inspiração do 8tracks vem da idéia de gravar fitas manualmente e compartilhar com amigos. Algo que começou em 70, 80… como funciona o 8tracks no mundo digital?

Sim, isso realmente vem da tradição de curadoria musical. Começou sendo realizada por rádio FM, virou mixtapes de cassete na década de 1980 e a cultura DJ ao longo dos últimos 25 anos. A chave é uma pessoa que sabe de música e oferece um “filtro” para os amigos e seguidores. No nosso caso, criamos uma plataforma para fomentar tal atividade.

Vale ressaltar que esse projeto é bastante diferente dos serviços no passado, como o Project Playlist ou Imeem, que eram realmente mais parecidos com os equivalentes de streaming do Napster 1.0.

No site, usuários descrevem o serviço como uma trilha sonora da vida e de seus melhores momentos em viagens, ou outras experiências. Como você vê isso?

Para muitos, a música está intimamente associada com os eventos da sociedade ou da vida, e vice-versa. É neste sentido, e  muitas vezes o site se torna uma espécie de diário musical ou trilha sonora para vida.

Qual sua relação com os projetos de música on-line como Muxtape e Live 365?

Eu não me envolvi com Muxtape, conheci meu amigo Justin antes dele lançar o site e nós criamos o 8tracks através de um amigo mútuo. Eu ajudei na execução da Live365, o pioneiro da “nuvem”, estilo de social-streaming de rádio, onde fiquei entre 2000 e 2006.

Quando surgiu a ideia de trabalhar com música online?

Eu decidi ir para Berkeley em vez de uma escola mais tradicional de East Coast porque eu queria trabalhar com uma startup de música digital. Meu trabalho de conclusão para Berkeley em 1997 foi uma breve discussão sobre as minhas ideias para esse empreendimento. Foi definitivamente uma mudança de caminho do que estava conspirando para a década até aquele momento (vendo filmes como Nine e Wall Street).

Como você ganha dinheiro hoje?

Principalmente com publicidade, tanto de banners (vendidos por nossas redes de anúncios) e alguns patrocínios personalizados. O rádio é e provavelmente sempre será um piloto muito maior de receitas para o “produto” da música, hoje, as receitas de anúncios colocados nas rádios tradicionais são cerca de 2x o tamanho da receita de vendas de música gravada.

A empresa tem sua sede própria? Como acontece a distribuição do trabalho?

Não, nós temos uma equipe distribuída na França, Nova York e Califórnia. Nós tivemos 14 colaboradores ao longo do tempo, principalmente desenvolvedores e um casal de designers. Recentemente, tivemos (além de mim mesmo) nossos três primeiros contribuintes non-dev/design, incluindo um novo vice-presidente de marketing, que se juntou a nós este mês.

Quantas visitas o site tem?

Ficamos entre 200, 300 mil visitantes únicos por mês, dependendo da sazonalidade. Isso excluindo ouvir através do nosso player Flash no Facebook, blogs ou outros sites.

Quais são os planos para o futuro?

Provavelmente o mais importante, são nossos aplicativos móveis para iPhone e Android. Nós temos um  base relativamente pequena, por isso levou muito tempo para obter esses aplicativos juntos, mas agora estamos muito próximos, e nosso aplicativo para iPhone funciona bem.

Temos também alguns melhoramentos bastante significativos para o nosso mix de criação, praticamente intocados desde o seu lançamento em agosto de 2008.

O que você estava ouvindo quando respondeu essa entrevista?

Eu sou normalmente mais um cara de eletrônica, mas eu queria algo mais suave: http://8tracks.com/ticklememomo11/the-ultimate-indie-mix

Como você imagina o futuro do play nos próximos anos?

Eu imagino que o futuro do setor da música será uma crescente fragmentação. O sistema de “estrela” das principais empresas continuarão a ficar mais baratos e ferramentas para a produção de música, provavelmente, incentivarão uma maior participação na criação de música. Desejamos que o 8tracks possa desempenhar um papel importante no novo ecossistema musical, ligando músicos com ouvintes, por intermédio do DJ como curador.

Futuro do Play é uma série de entrevistas com startups que não só falam sobre o futuro da música online, mas que mudam a forma como a ouvimos cada dia com suas ideias. Veja também as entrevistas com: Ben Westerman-Clark do GroovesharkAnthony Volodkin do Hype Machine e Eleonora Viviani do Stereomood.