Quem acompanha o trabalho da ilustradora paulistana Evelyn Queiróz, a NegaHamburguer, sabe que 2014 foi um ano cheio de aventuras para a artista. Além de lançar o livro Beleza Real, projeto com arrecadação coletiva que retrata a beleza feminina muito além dos estereótipos, Evelyn viajou bastante desenhando curvas e histórias de brasileiras.

Enquanto pintava sua delicada compilação, uma reflexão interessante sobre mulheres e auto-estima, nos bastidores, explorou diferentes plataformas de pintura, das telas aos muros. E em dezembro, a artista cruzou a fronteira para dançar o tango argentino com a ideia de ampliar a ideia e levar um pouco de suas nêgas para as ruas da boêmia Buenos Aires. Para 2015, a artista inicia o projeto Setenta e Um, um ateliê de arte pra comunidade do Taboão da Serra.

Malaguetas: Por onde deixou seus traços nesta viagem?
Evelyn: Estava muito afim de conhecer a América do Sul, mas queria decidir os destinos na hora. A ideia inicial era pra ir para a Argentina e Bolívia, mas acabei trocando essa última pelo Uruguai. Fui conhecer e ter a experiência de me virar, hahaha.

Intervenção da Nega em San Telmo

Intervenção da Nega em San Telmo

Malaguetas: Além de experimentar um formato diferente, qual a importância de intervenções urbanas com a Nega em um ano que tanto se falou sobre assédio?
Evelyn: Acho que em trabalhos como esse tento mostrar para as mulheres que elas têm voz e que não dá mais pra aceitar esse tipo de violência. Serve para dizer que assédio não é elogio de forma alguma.

Malaguetas: Em 2014, você  fez uma tour pelo Brasil com o Beleza Real. Como foi seu balanço de fim de ano? 
Evelyn: Fui pra fora de SP com alguns outros projetos e neles acabei colocando o Beleza Real. Adorei conhecer meninas de tantos lugares diferentes e com histórias tão emocionantes. Trocar dessa forma com o meu trabalho foi um dos maiores presentes de 2014

Malaguetas: O que este intercâmbio te trouxe de experiência?
Evelyn: Fez eu refletir bastante sobre os caminhos que estou tomando tanto pessoalmente como profissionalmente também. Ter que se virar te tira da zona de conforto e te faz agir e isso traz um autoconhecimento que é pra sempre.

“Tento mostrar para as mulheres que elas têm voz e que não dá mais pra aceitar esse tipo de violência. Serve para dizer que assédio não é elogio de forma alguma”

Malaguetas: Conta um pouco do Setenta e 1 e da sua relação com a comunidade do Taboão?
Evelyn: A Setenta e 1 é uma casa onde além do ateliê da Negahamburguer, tem como objetivo fazer um novo rolê na periferia. Queremos coisas legais nos nossos bairros também e não ter que ir pro centro sempre. Queremos abrir para quem quiser visitar e fazer seu evento também ou só tomar uma cerveja e trocar uma ideia.

Malaguetas: Como a ilustração despertou seu lado empreendedora?
Evelyn: Trabalhando com as ilustrações aprendi a ter também um controle e planejamento financeiro, o que ajuda muito quem vive de freelas. Também sou muito organizada e tenho caderno pra tudo, hahaha.

Malaguetas: Vi no seu Instagram o projeto de lambe-lambe, conta um pouco?
Evelyn: Estou escrevendo um projeto de lambe-lambe para que eles sejam espalhados pela cidade como forma de informação e um abraço em todas as mulheres :) Ainda estou nos rascunhos.

Para fechar, uma entrevista em vídeo bem legal com a artista que assistimos recentemente. E para mais fotos da viagem, dá um pulo no Instagram Negahamburguer, está cheio delas.