Terminei de assistir “Mr. Robot” faz um dia e algumas imagens intensas ainda estão presas na minha memória. A quantidade de texto e referências tecnológicas pode soar confusa para quem não está familiarizado com jargões de TI, mas esse é um drama que te faz deitar em posição fetal pensando o quanto a soma de tecnologia e mente humana pode ser completamente destrutiva.

Com o viés anárquico e pessimista que transformou Clube da Luta (Chuck Palahaniuk) em clássico, aqui a sociedade secreta é inspirada nos hackers do grupo Anonymous. Todos os episódios da primeira temporada misturam uma ação e o nome da extensão de um arquivo, como .mov ou .flv. A segunda temporada foi confirmada pela emissora em 2015.

Criada por Sam Esmail, a série é protagonizada pelo ator egípcio Rami Malek (o hacker Elliot), com participações pontuais de Christian Slater, que levou o Globo de Ouro de ator coadjuvante como o próprio Mr. Robot. O plot roda todo em torno da história de Eliott, orfão, que durante o dia é um funcionário dedicado para a Allsafe, uma empresa que segurança cibernética.

Além da vida profissional, Eliott sofre de transtorno de ansiedade social, é esquizofrênico e com a evolução dos episódios se torna um viciado em heroína. Todos os demônios do personagem são apresentados em algumas cenas em primeira pessoa, daquelas que seu ponto de vista está dentro da cabeça do personagem. As filmagens em câmera única e as conversas com o espectador mostram de forma muito sensível como Elliot acaba transformando a própria realidade em uma solitária second life.

Com referências aos noventistas “The Net” e “Hackers”, a série tem Edward Snowden como fã e não é a toa. Malek se inspirou em algumas delações do americano para mostrar a delicada relação do governo com empresas de tecnologia. Quem curtiu o jogo Watch Dogs, também vai ver Elliot mostrar que tudo no universo eletrônico tem bugs e pode ser hackeado. Principalmente a realidade que projetou para si.