Essa semana o Malaguetas é especial urbanismo. Estamos participando do Berlin Unlimited, um workshop que reúne arquitetos, historiadores, artistas e urbanistas do mundo todo em busca de soluções que ajudem a tornar a vida caótica das megalópoles um pouco mais tragável. A ideia é mostrar a criatividade dos cidadãos, das pequenas comunidades, dos vizinhos, dos profissionais criativos para lidar com as demandas e problemas cotidianos.

“Mova as fronteiras”
O primeiro papo é de um estúdio de arquitetura daqui formado por três mulheres. Aliás, as mulheres são parte importante de todo esse processo. O evento foi organizado por sete profissionais. Além disso, são 60% dos participantes.

Em “Move The Borders”, Juliane Jäger, Barbara Witt e Julie Biron falam sobre como mover as fronteiras do espaço urbano e mostram um passo a passo de como criar instalações de arte que não sejam apenas vistosas, mas baratas e funcionais. “Gostamos de pensar a cidade como um espaço de ação, um playground”, explicam. Pensando nisso, criaram um projeto de mobília urbana que é versátil e pode ser aproveitado em parques, ruas e espaços mau utilizados.

Com ferro de reciclagem ou madeira de reflorestamento, o trio cria bancos com rodinhas e encaixes que podem variar de tamanho e formato. Com abordagem similar, Rosanne Schmidt, do Bicyclope, reuniu moradores e amigos para criar bancos e mini-jardins instalados em caixas de madeira que são colocadas em lugares onde é proibido estacionar. Ela é também é dona do sofá experimental da foto, com energia gerada pelas pedaladas.

Como dica, elas dizem que você não deve só reproduzir o modelo. Mas pensar como ele se aplicaria na sua vizinhança, já que cada cidade tem suas particularidades e cada espaço tem que ser pensado de uma forma. Barbara divide a fórmula em alguns passos:

mobília urbana

- encontre um lugar não utilizado
- pense como ocupar o espaço disponível
- faça a lista dos materiais necessários e onde é possível trocar ou comprar por um baixo custo
- mobilize os vizinhos (mesmo que não sejam muitos), faça convites
- negocie com as prefeituras locais
- construa e aproveite o espaço

Rosanne Schmidt também aproveitou a oportunidade para fazer um desabafo. “Esse projeto é a nossa visão de como o design urbano pode nos ajudar a conviver melhor. Não vou ser ingênua e dizer que vai mudar algo, em larga escala não significa nada. Mas essa oportunidade nos dá uma visão diferente, mostra o que podemos fazer sozinhos.”