A Pinacoteca Moderna de Munique é uma daquelas visitas obrigatórias para quem tem interesse por cultura e está de passagem pela capital da Baviera, estado no sul da Alemanha. O prédio, situado no “Quarteirão das Artes”, o Maxvorstadt; abriga sobre o mesmo teto quatro coleções – a Coleção de Arte Moderna, a Coleção Gráfica Estadual de Munique, a Nova Coleção e o Museu de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique, o maior museu sobre arquitetura na Alemanha.

O museu é também um centro de pesquisa que reúne 5000 desenhos e planos de mais de mil arquitetos e 200 mil  fotografias e maquetes. Apesar do ponto forte da Coleção ser a arquitetura teutônica, 2014 marca o ano em que o maior museu de arquitetura alemão abriu suas portas para uma grande exposição de uma arquiteta com um pezinho no Brasil: Lina Bo Bardi, que completaria 100 anos no último dia 5 de dezembro.

“Lina Bo Bardi 1OO – Caminho alternativo do Brasil à modernidade” introduz o trabalho desta italiana que formou a “cara” da arquitetura brasileira. A exposição, a maior já oferecida à Lina Bo Bardi fora do Brasil, contempla mais de 100 desenhos arquitetônicos e fotografias históricas, uma vídeo-instalação, um simpósio e um debate.

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Casa do Vidro Lina Bo Bardi

A concepção da exposição ficou nas mãos da renomada arquiteta brasileira Marina Correia. É impossível pensar em arquitetura no Brasil sem discutir o trabalho desta italiana, que formou-se pela arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Roma na década de 30. A arquiteta modernista mudou-se para o Brasil em 1946 e projetou, entre outros, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), na capital paulista.

Em 1951, Lina, na verdade um apelido para Achilina, naturalizou-se brasileira. Sobre isto, ela afirmou certa vez: “Quando a gente nasce, não escolhe nada, nasce por acaso. Eu não nasci aqui, escolhi este lugar para viver. Por isso, o Brasil é meu país duas vezes, é minha ‘Pátria de Escolha’, e eu me sinto cidadã de todas as cidades, desde o Cariri, ao Triângulo Mineiro, às cidades do interior e às da fronteira.”

Foi neste mesmo ano que ela construiu no Morumbi a Casa de Vidro – local onde residiu até falecer, em 1992. Além do MASP, ela assina outras obras na cidade de São Paulo – como o Sesc Pompeia, onde as exposições “A arquitetura política de Lina Bo Bardi” e “Lina gráfica” podem ser vistas até 14 de dezembro. Em Munique, estará aberta até 22 de fevereiro.

O Google também prestou sua homenagem à Lina, através de um Doodle no último dia 5. Somente no Brasil, o buscador mostrou na sua página inicial uma ilustração da sede do MASP, uma de suas principais obras no país.

MASP Lina Bo BardiDá para imaginar São Paulo sem o MASP?  (crédito: Divulgação /  Architektur München)

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Quem é a Mano Barbosa
A paisagem mais bonita que já viu foi em uma viagem de trem de Oslo para Bergen. Já fez um tour de lambreta por Lisboa e rapel na Cachoeira Alta. Já cantou karaokê em Budapeste e vendeu tralha num mercado de pulgas em Berlim. Esteve no show do Michael Jackson e quase foi esmagada. É jornalista. Mata por tiramisú. Foi a única pessoa abaixo de 65 anos em um curso sobre a história do cinema, aos 16. Aos 23, partiu para a Alemanha, onde vive, dez anos depois, até hoje. Aqui você encontra suas histórias: http://manobarbosa.tumblr.com/