Uma das revistas mais legais que peguei por aqui nas últimas semanas é a Bitchslap, de Copenhagen. Distribuída gratuitamente, a publicação de cultura urbana e lifestyle tem um estilo experimental e mistura um pouco da magia do impresso com a diagramação e o conteúdo rápido do online. Escolhi um dos favoritos desta edição para traduzir a seguir. “The Oldest Story in Music” foi ilustrado e escrito à mão por Andrew Khosravani.

A lenda de Robert Johnson é uma das mais amaldiçoadas na música. Sua história é tão fascinante que mesmo aqueles que não acreditam nela continuam espalhando que é verdade, reforçando o rótulo de um dos mais enigmáticos e misteriosos ícones musicais dos tempos recentes.
Voltemos a década de 20. Johnson, um medíocre bluesman, é vaiado e chutado de um dos bares que insistiam em receber seus terríveis acordes. Ele era conhecido como o pior na cidade. Mas estava determinado a tocar e ser um dos melhores no blues, até que desapareceu. 
Ninguém sabe exatamente onde ele foi, mas todos sabem que depois de um curto tempo ele voltou e estava extraordinário. Sua música estava surpreendentemente e aqueles que riram estavam desesperados querendo descobrir seu segredo. 

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O que dizem é que mesmo que ninguém tenha o questionado, ele resolveu contar a própria história: ‘Tudo o que fiz foi seguir andando sozinho até as grandes e vazias estradas fora da cidade. Cheguei um pouco antes da madrugada e assim que bateu meia-noite, esperei com o meu violão e o diabo veio. Ele veio, afinou meu violão, e foi embora.”

Foi em uma noite no Mississipi que Johnson dominou as notas e não foi com prática ou trabalho duro, mas em um pacto com o demônio. Em uma troca por sua alma, Johnson se tornou um dos maiores músicos de todos os tempos, um verdadeiro mestre no delta blues e pai do rock and roll. 

Como parte do pagamento, ele nunca recebeu reconhecimento em vida. Foi descoberto apenas 20 anos após a sua morte. Ele passou seus últimos dias se revirando de dor após ser envenenado por ter dormido com a mulher do homem errado. Ele morreu em 1937 aos 27 anos. 

Foi em 1961 que seu trabalho foi compilado e relançado, o que levou sua música para uma audiência maior. No fim, ele viveu e respirou o blues com toda a intensidade e hoje é relembrado não só pelas 29 músicas que deixou para trás, mas por seu fantasmagórico negócio com o diabo. Se você acredita, esta é uma bela de uma história.”fire

Publicada na Bitchslap Magazine #21.