A primeira vez que ouvi falar de Laura Marling foi no fim de 2010. Uma situação bem peculiar, sabe? Quando esses grande amores surgem do nada e entram com tudo para abalar geral, apresentando as melhores coisas que a vida tem a oferecer. Coisas que ficam mesmo quando o amor chega ao fim. O amor acabou e Laura ficou in my heart forever.

A britânica deu as caras por aqui pela primeira vez no inicio de 2011, no extinto festival Natura Nós, em São Paulo. Naquela época, Laura veio promover os álbuns solo I Speak Because I CanAlas I Cannot Swim (2008). Antes disso, ela era vocalista da Noah And The Whale e uma das músicas mais conhecidas dela com a banda certamente é “5 Years Time” (ouça aqui). Depois de seis anos, ela retornou ao país com a turnê de Short Movie, o quinto álbum de estúdio, na última sexta (15).

O show rolou no Cine Joia e fiz uns cliques por lá.

A galera chegou aos poucos e foi buscando lugar no chão para aguardar o show. O público era diversificado, percebia-se pelos sotaques e a faixa etária variada. Por incrível que pareça, a maioria das pessoas chegava sozinha, como eu, algo que pode ser justificado pelo som mais introspectivo da artista. Laura Marling é um dos grandes nomes do folk potente e do rock experimental atual. Com seu ar tímido, de aparência angelical, a britânica entrou no palco e se entregou a cada canção como se aquele momento fosse único. Ao mesmo tempo que era possível perceber um sentimento visceral partindo dela, de arrepiar a pele e os cabelos, o que me arrancou alguns suspiros. Os fãs retribuiram a troca com euforia, aplausos e gritos que surpreenderam a artista. Uma garota disse do meu lado “venha todo ano” enquanto outro casal comentou “você demorou muito tempo pra voltar”.

Fiquei deslumbrada com o timbre da voz da Laura, foi a primeira vez que vi de perto tal sutileza sonora transmitida com tanta devoção e paixão. Acompanhada de uma pequena banda de dois homens (um baterista e um instrumentista), o show também mostra um casamento perfeito entre o violoncelo e a guitarra elétrica. Nunca vi tanta delicadeza em uma única só pessoa e nunca imaginei que aquela mulher de pele alva e loiro platinado poderia soar tão poderosa quanto nas faixas “I Was an Eagle” ou “Master Hunter”, quando ela diz que “não vai ser vítima de nenhum romance e que possui uma pele impenetrável”.

Olhei para os lados em busca de um espaço para fotografar e percebi que a energia do público foi completamente absorvida pela artista. Sorri e voltei ao show compartilhando do mesmo sentimento. O aprendizado da noite é que “a woman alone is not a woman undone (uma mulher sozinha não é uma mulher desfeita)”. Apesar de parecer que este show foi tão rápido quanto um curta-metragem, foi fortalecedor. Espero que ela não demore muito pra voltar. Quem sabe na próxima eu não tenha a sorte de ouvir também “Old Stone”, “Blackberry Stone” e ”I Feel Your Love”.

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Toda o nosso amor ao Cine Joia que nos ajudou com o ingresso.
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