No centro de um alvo e cercado por dinamites, Iggy Pop canta que está pronto para morrer em novo álbum com os Stooges, o primeiro após seis anos do lançamento de “The Weirdness” e o primeiro em reunião com o guitarrista e produtor James Williamson, que ajudou a compor oito faixas do clássico “Raw Power” (1973) e é o principal destaque do disco lançado no fim de abril.

A formação atual inclui o baterista Scott Asheton (irmão de Ron Asheton, morto em 2009), o baixista Mike Watt e o saxofonista Steve Mackay. O álbum foi lançado por uma gravadora independente, a Fat Possum Records.

Aos 66 anos, faixa etária base dos integrantes, Iggy canta sobre mulheres em “Sex and Money” (“mamilos vem e mamilos vão”), com um saxofone que dá um tom vintage e tenta mostrar um lado mais sofisticado da banda.

O álbum ainda tenta resgatar alguma agressividade em “Gun” (“se eu tivesse uma arma eu poderia atirar em todo mundo”), similar a “My Idea of Fun”, de “The Weirdness” (2007), (“minha ideia de diversão é matar todo mundo”) e tenta voltar as origens com o single “Burn”, com as guitarras de Williamson relembrando o lado mais barulhento de “Raw Power” em uma letra que critica a beleza e diz que o futuro do homem é “ser valentão e brigão”.”Job”, em que Iggy faz uma piada sobre as eleições americanas e o candidato Mitt Romney, também se assemelha ao lado mais punk e garageiro do álbum setentista.

A decisão de lançar um novo trabalho surgiu após a morte de Asheton, que foi encontrado cinco dias após sofrer um ataque cardíaco em casa, aos 60 anos. O ocorrido acabou aproximando Williamson e Pop, que já não se falavam com tanta frequência. Iggy disse em entrevista à “Rolling Stone” que a morte de Ron mexeu com os integrantes e os motivou a fazer uma nova reunião inspirada no álbum de 73.

Pop ainda comentou na conversa que “Ready To Die” é um álbum que “que precisava ser feito”. “Esse é meu sonho adolescente, ter uma banda que grava álbuns e toca em shows. Ainda existe glória nisso e eu quero honrar esse grupo”.

Com apenas 39 minutos e sem a urgência que caracteriza “Raw Power”, as faixas mais lentas do disco, como “The Departed” e “Unfriendly World” mostram o lado mais grave da voz de Iggy à la Johnny Cash e Leonard Cohen.

Levando em consideração o fiasco de crítica que “The Weirdness” teve na época de lançamento, “Ready To Die” soa como uma tentativa de se auto redimir pelos anos afastados e uma corrida contra o tempo, que apesar de não ser tão crua e jovem quanto “Raw Power”, mostra os sessentões em seu lado mais maduro e sofisticado.

Publicado em UOL Música.