Calaveras com topetes rockabilly, âncoras floridas e marinheiros desenhados em porcelana da casa da vó. Nascida em Hamburgo, cidade portuária no norte da Alemanha, Frau Ines se deixa inspirar pela atmosfera de chegadas e partidas da vida marítima e dos tesouros vintage encontrados nos fleamarkets alemães. Contraste colorido, outra parte de sua inspiração vem das cerimônias mexicanas e do Dia De Los Muertos, com seus recortes precisos e caveiras felizes. Batemos um papo com a menina Ines na Tattoo Convention de Berlim, quando ela contou um pouco da ideia, suas pirações e como ela tem misturado o nórdico ao latino. 

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Como você começou a desenhar?
Realmente não sei quando comecei a desenhar. Desde que me lembro, tenho trabalhado com artesanato e coisas com lápis, papel e tudo o que encontro pelo caminho. Depois da aula de arte na escola secundária e aprender com diferentes experiências em oficinas, percebi que precisava de um trabalho criativo.

Como surgiu a ideia de usar porcelana e fotos antigas?
Uma das minhas paixões sempre foi ir aos fleamarkets. Gosto de descobrir os tesouros das outras pessoas e sempre tenho que me segurar para não comprar todas essas belezinhas. Sou viciada principalmente em porcelana vintage e um dia pensei: ‘talvez ela possa ser uma tela perfeita para as minhas ilustrações’. Minha afeição por caveiras mexicanas e florais kitsch tornam a combinação perfeita. A ideia de usar fotos antigas começou a surgir dessas experimentações. No começo fiquei muito orgulhosa por usar porcelana. Percebi que estava no caminho certo quando, mais tarde, comecei a receber muitas respostas positivas.

Você desenhou algumas das suas tatuagens?
Sim, tem uma das minhas tatuagens que eu mesma fiz. Primeiro pensei que nunca faria isso, porque sou perfeccionista e muito crítica com o que produzo. Mas vivi uma situação no passado que só poderia explicar no meu traço, não existia uma forma melhor de expôr meus sentimentos. Fazer esta tatuagem foi uma situação pessoal e emocional da minha vida.

O que desenhar a cultura mexicana te ensinou?
Amo a forma como os mexicanos lidam com a morte. Para eles, a morte não é nada assustadora e não é o objetivo final. Eles criam uma grande festa para os mortos e os recordam de uma forma tão colorida e bonita, o que me impressiona muito. É um grande contraste do funeral europeu. Todos nós podemos aprender alguma coisa com essa cultura impressionante.

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O que te inspira no dia a dia?
Estou trabalhando com um coletivo de cinco meninas. Há tanta troca, motivação e espírito de equipe, um lugar perfeito para se sentir criativa. Mas, posso encontrar inspirações na vida todo dia, minha cidade é uma delas. A natureza é uma fonte inesgotável e definitivamente o trabalho dos outros me inspira de maneiras diferentes e me motiva a buscar o meu melhor.

Quando não está desenhando…
Sou um leitora ávida. Música e shows são um grande passatempo. Amo a natureza, piqueniques e viajar com a minha Vespa nos finais de semana. Sou uma grande fã de boa comida combinada com conversas de amigos queridos.

O que as pessoas dizem quando olham seu trabalho pela primeira vez?
Alguém sempre me fala: “como você pode manchar estas belas porcelanas com estes temas de terror?”. Muitas pessoas não entendem a mensagem. Nossa sociedade é, por vezes, muito conservadora e deselegante em suas ideias. Isso me deixa um pouco triste, mas às vezes posso mudar a opinião de uma pequena porção de clientes. Geralmente depois que explico, o cliente ainda se interessa em comprar a porcelana.

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“Happy as a skull”

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//fotos: Steh Reis