Estava com tanta saudade desse meu cantinho, essas últimas semanas foram caóticas a ponto de eu não conseguir fazer nada. Mas, enfim, estou de volta (meio atrasada) com a resenha do Planeta Terra e Maquinária no fim de semana que reuniu dois dos maiores festivais do ano. Tirando o blá blá blá, resenhas técnicas, análises de set list e tudo mais que vocês já viram por aí, essas foram as minhas impressões.

Quem não pode ir ao Planeta Terra no Playcenter com certeza perdeu uma das grandes experiências musicais do ano. Mesmo disputando público com o show do Faith no More e Jane´s Addiction no Maquinária [que me deu dores no coração por não poder dar pausa no tempo para ver todos] estava cheio a ponto de ser bem sucedido, mas vazio quando se tratava de espaço e comodidade, chegar na frente do palco só exigia alguns passos onde você podia encontrar um lugar razoável e não muito apertado. Os brinquedos ficaram abertos e as filas que geralmente levam horas, não duravam mais que minutos. Eu fui em uns três até que cheguei no Cataclisma e a vontade de vomitar misturada com a breja que tinha bebido me impediram de continuar.

Os palcos estavam próximos, a ponto de não rolar uma poluição sonora, e era difícil fazer um roteiro que desce para ver tudo. O dia começou super bonito e ensolarado e o Móveis Coloniais de Acaju começou a tocar um pouco antes do horário marcado, o que deu tempo suficiente para emplacar todos os hits do novo álbum C_MPL_TE e alguns sucessos do primeiro CD nos shows super animados que eles fazem, quem já foi em algum, sabe do que estou falando. Eles são daqueles que tocam com 30 e para 30 mil pessoas com a mesma energia, exemplo disso foi a “Copacabana” ser tocada do meio do público.

Enquanto isso, no palco indie, a banda EX! liderada por Monique Maion tinha um público tímido para conquistar. Eles têm umas influências de electro pop e contam com as referências jazzísticas de Monique que super animada corria de um lado ao outro do palco fazendo estripulias. Para quem quiser conhecer, o site oficial é [www.ex.art.br] o som é bem legal até. Depois deles, o feature alternativo foi o pessoal do Copacabana Club com a vocalista Cacá que desceu do palco para ficar mais perto dos fãs no fechamento do show com “Just do it”.

O Sonic Youth de longe era a banda mais esperada da noite [inclusive por mim, a Kim Gordon é meu sonho de futuro]. Depois de uma apresentação mediana no Claro que é Rock em 2005, onde também compartilhou palco com Iggy, mostrou porque continua sendo a banda mais representativa do cenário alternativo depois de 29 anos. Mesmo sem a presença do guitarrista Lee Ranaldo que sofreu uma lesão no braço e como muitos já falaram, sem se apegar a grandes hits, das 15 músicas tocadas do set list foram 8 sons do novo álbum The Eternal como “No Way”, “Calming, the Snak” e “The sprawl”. Kim Gordon foi um espetáculo à parte, charmosa e espontânea fez de “Jams Run Free” uma brisa pessoal onde rodou em torno de si mesma até cair no chão de tontura. E Thurston Moore é uma lenda viva, com praticamente a mesma roupa e o mesmo cabelo do início de carreira, dava a composição da banda no palco um aspecto de conjunto, de divisão de brilho. Sem disputas, só pelo rock and roll. A chuva deu o toque final, nas horas certas, parecia quase que premeditada.

O Ting Tings não me convenceu. O som é chicletinho, funciona na balada, mas no palco é um fiasco. Não dava para saber o que Katie estava tocando, o que estava gravado e o que era eletrônico. Uma mistura confusa onde ela se revezava entre instrumentos que não tinham sincronia nenhuma. Não tinha nem como disputar o horário com IggyPop que valeu bem mais a pena.

O vovô totalmente na contramão do Sonic Youth que era uma BANDA, mostrou porque seu nome foi separado dos Stooges. A banda praticamente servia as loucuras dele do palco que dançava e cantava com a mesma voracidade de sua juventude. De vez em outra abaixava um pouco a calça até que sua bunda estivesse totalmente a mostra, sua voz oscilava entre o sofisticado grave do novo álbum de jazz e os gritos histéricos que lhe deram a fama. Mesmo meio torto e uns kilos mais gordo chamou o pessoal para subir ao palco, deu uma polemizada e arrumou encrenca com os seguranças e fotógrafos. O repértório da banda foi bem escolhido e clássicos como “Raw Power”, “Search & Destroy” e “I Wanna be your dog” fizeram a noite.

A noite foi fechada com os eletrônicos Etienne de Crécy e Anthony Rother que deram o clima de balada para quem conseguiu sobreviver ao festival [eu já estava morta, com os pés machucados]. Etienne com um palco cheio de efeitos de luzes, como se estivesse no centro de um cubo mágico tocou um som bem cheio e sincronizado. Eu sou suspeita para falar [ sou muito cachorro perto de árvore de Natal, qualquer luz me atrai] mas achei a apresentação bem legal, como não tinha NENHUMA foto boa e poucos vídeos, vai esse de exemplo. Já o Rother vi bem pouco, apesar dele parecer um Danny de Vito latino e ouvir o Peu falar dez vezes que ele era o poeta da música eletrônica, achei o set bem legal. O mais interessante é que essas apresentações são muito diferentes do que se está acostumado a ouvir em pistas em que o DJ é um mero coadjuvante.

Sai de lá ainda meio bêbada, com os pés acabados e uma puta dor de estômago, mas sobrevivi feliz porque não passei stress com a organização que mandou muito bem tanto na comunicação visual quanto na prática lá na hora, na facilidade e diversas opções sensoriais para se divertir e a divulgação do festival que foi master bem falada. Tanto que me fez manter esse post mesmo uma semana depois. ;)

Para ver vídeos, clique aqui, o Terra TV fez toda a cobertura.

Cobertura para o Mundo Rock de Calcinha.