Quadros de Jesus Cristo em 3D, santos coloridos, becos com corações, alguns ‘gatos’ de energia elétrica, camisetas penduradas em varais com flores, fitinhas do Sr. do Bonfim e porta-retratos de Pelé e Garrincha pendurados nas paredes de madeira colorida. No topo, alguns fios propositalmente expostos dividiam espaço com nomes de marcas famosas como Marc O’Polo e Raw (criada pelo feliz Pharrel Williams). Em Berlim, a favela é ‘cool’.

A simpatia dos alemães pelos brasileiros cruzou as fronteiras do futebol e tem se mostrado cada vez mais uma movimentação de mercado. Maior feira de tendências de urban wear do continente, a Bread and Butter promoveu o estilo de vida do país da Copa durante a Semana de Moda da cidade reproduzindo seus maiores clichês dentre algumas boas ideias.

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Inspirados por experiências no Rio de Janeiro (leia Copa-cabãna), eles montaram no aeroporto Tempelhof a réplica de uma favela em um evento batizado de “Carnaval do Brasil”. Com funk, capoeira, churrasco, sambistas e uma exposição do fotógrafo alemão Olaf Heines, que diz ter se apaixonado pelas curvas arquitetônicas do país.

Tudo para promover o jeitinho brasileiro em suas cores, estampas e apostas para a temporada de verão, com produtos de lojas de todo o hemisfério norte. O país perdeu nos gramados, mas por aqui nunca esteve tão em alta.

“Beber caipirinha no café da manhã”, sugeria um café. “Alugue um rodízio brasileiro”, anunciava outro. Chapéus panamá, praia artificial, Havaianas, um campo de futebol e musas de bateria faziam parte do evento. Também era perceptível a presença de novos lojistas e algumas brasileiras trabalhando nos estandes de grandes marcas.

Além da favela, a ONG Art Helps vendia camisetas criadas por crianças do Morro do Papagaio, de Belo Horizonte. Eles desenvolvem oficinas de arte que posteriormente viram camisetas vendidas por 25 euros, com renda revertida para a comunidade. Julia Werner, uma das responsáveis pelo projeto, contou um pouco das suas impressões.

“Nós ficamos tristes pela derrota do Brasil na Copa. Mas mais que isso somos contra a corrupção e os problemas políticos do país. Estamos trabalhando lá e sabemos como algumas coisas funcionam mal”, comenta. “Ao mesmo tempo, o país tem muitas coisas legais, seu estilo de vida, e isso merece ser compartilhado”. Ela conta que o marido fez a primeira viagem para Minas Gerais há cinco anos e desde então, tem se dividido entre projetos sociais em BH e no Rio. Sua marca incentiva “mais do que se vestir bem, é preciso fazer o bem.”

Aqui embaixo, reunimos algumas imagens para mostrar um pouco do que rolou.

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(fotos: Steh Reis)