Diga-me o que tu ouves e te direi quem és. A ceia foi gordinha e o fim de semana trouxe bons drinks e trilha fina com as amigas (aliás, Feliz Natal aí!). Na playlist de hoje, artistas jovens que transbordam maturidade musical, ousadia e por que não assumir o feminismo em suas produções? Dicas para começar 2016 com novas favoritas na playlist.

IBEYI

O duo franco-cubano Ibeyi veio direto do túnel das 4:20 da manhã. As gêmeas Lisa e Naomi-Kaindé Díaz são filhas do percusionista cubano Miguel “Angá” Díaz, que tocou um tempo com o Buena Vista Social Club e morreu em 2006, sem ver o despertar musical das meninas para o público. “Oya”, o primeiro EP, foi lançado em 2014. Mas foi o álbum que as apresenta, “Ibeyi” (2015), que brilhou muito no SXSW deste ano com uma mistura de soul, R&B e Yorùbá, tradição cultural-linguística com raízes na Nigéria e Benim e levada à Cuba em 1700.

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As canções Yorubás são consideradas as com maior potência de duplicação no mundo. Esse efeito de dois tons sobrepostos cantando uma única letra é o ponto forte das irmãs, que já afirmaram ao Guardian que a conexão entre as duas é puro sexto-sentido geminiano. O nome da dupla também faz menção a essa união: Ibeji é um orixá de pareamento.

A notícia boa é que além da discografia completa de graça no Spotify delas, você encontra também as playlists de Lisa (ouça aqui) e Naomi (ouça aqui) para entrar nesse looping eterno de novas referências. (via Mari Zendron e Nat Guaratto)

LA MALA RODRIGUEZ

Com mais tempo de estrada que as irmãs Diaz, La Mala Rodriguez, codinome de María Rodríguez Garrído, é uma rapper de Sevilha de língua afiada que canta um rap ‘aflamencado’. Nos últimos cinco anos, seu nome tem crescido como a diva do rap e hip hop espanhol, a artistas que mais vendeu álbuns do gênero. Suas parcerias incluem a mexicana Julieta Vinegas e os cubanos do Calle 13, com quem gravou “Mala Suerte Con el 13“, de “Residente o Visitante“.

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Neste ano, quando comemora 15 anos de carreira, remasterizou ”Lujo Ibérico”, presenteando os fãs com nove músicas extras, além de imagens, acapellas e bastidores do álbum que é considerado parte da história do rap espanhol. Se você nunca teve a oportunidade de ouvir, sugerimos o play. (dica da Thais Simoni)

FKA TWIGS

FKA Twigs conquistou o coração da Mari Pasini (leia os posts dela aqui no Malaguetas) no ano em que ela mostrou a que veio. Aos 27 anos, compõe, é uma dançarina espontânea, ícone fashion e está por trás do conceito de cada produção, cada música, cada clipe, cada passo. “Pareço uma personagem de mangá, mas por dentro, me sinto uma guerreira”, disse à Rolling Stone gringa.

fka twigs

Para ”M3LL155X”, álbum lançado em 2015, ela dirige quatro vídeos em que mostra a trajetória da mulher durante toda a vida, do parto a velhice. Você nunca viu um clipe igual.

ZÁ COELHO

Ei, lindeza, vem cá escutar Zá Coelho. A paulistana tem cinco anos de carreira e vem crescendo na cena indie com uma voz doce que fala na lata: “Meu corpo é minha voz, eu não fui feita pra ser possuída / Foi-se o tempo que você se apoderava da minha vida” ou “Você sussurra em mim como se eu fosse sua e grita me dizendo como eu devo ser / Que mulher que se preze não anda feito puta e que eu só apanhei porque eu fiz por merecer.”

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A equipe da Zá contou pra gente que o Facebook não permite que o clipe seja impulsionado por mostrar partes do corpo que eles consideram “desnecessárias”. Então dá o play aí e conheça esse trabalho lindão, dirigido pela Alexia Santi e parte de uma série para incentivar o empoderamento feminino. Saiu no #outubrorosa e em apenas três meses contabiliza dez mil views. (dica da Monica Monteiro que ainda não tinha rolado tempo de publicar)

Tem mais Trilha Fina aqui: Descobrindo Lianne La Havas.
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