Muito se falou sobre a ausência de Ziraldo e sobre o boicote à Turma da Mônica na Alemanha. Mas faltou contar que uma das cobranças do público durante o painel com Mauricio de Sousa, Lourenço Mutarelli, Gabriel Bá e Fábio Moon, Fernando Gonsales e Lelis, na Feira do Livro de Frankfurt, foi a falta de quadrinistas mulheres no Brasil.“Fazer quadrinhos é um trabalho braçal”, opinou Maurício. “Quando eu era jornalista, mulher na capa de revista vendia muito mais, 70% mais. As revistas com a Mônica na capa vendem muito mais”, brincou. “A mulher ainda não tem essa liberdade sem vergonha que homem tem, de trabalhar sem horários, voltar para casa tarde. Tem outras obrigações além do trabalho, tem que cuidar da casa, dos filhos. Quadrinho exige muito tempo de dedicação”. O pai da Mônica também disse que apesar de ter que conciliar, uma de suas filhas deve ser sua sucessora nos negócios, além de ter muitas mulheres talentosas trabalhando na produtora, como ilustradoras e diretoras de arte e que o espaço existe, basta ir atrás.

Para a dupla Bá e Moon, o espaço existe, mas “ainda é uma minoria” que se arrisca. “Elas aos poucos estão ganhando espaço, como ilustradoras, roteiristas ou coloristas, a gente tem muita leitora mulher também”, comentou Bá. Rolou um texto pro Omelete com mais comentários dos quadrinistas falando sobre a cena nacional. Vai lá!