Exibido em Berlim na última semana como parte do festival de cinema independente Raindance, que aconteceu no clube Katerholzig, o documentário “Everybody Street” tem como protagonista as ruas de Nova York nos 80’s.

Dirigido pela documentarista e fotógrafa americana Cheryl Dunn, o cotidiano nova-iorquino é apresentado através das lentes de 13 fotógrafos, entre eles Mary Ellen Mark, Bruce Davidson, Martha Cooper, Jamel Shabazz, Clayton Patterson, Elliott Erwitt e Rick Powell.

Martha Cooper

Trabalhando nas ruas há pelos menos 30 anos, eles já registraram batidas policiais, incêndios, prostitutas, junkies, gangues no Brooklyn, grupos de rap, grafiteiros, guetos e cidadãos pelas esquinas da big apple. E todas essas histórias sobre o período de maior ascenção cultural da cidade podem ser ouvidas no documentário.

Aproveitando imagens criadas pelos fotógrafos e suas histórias, o longa provoca a plateia o tempo todo, seja com discussões sobre o Instagram e a fotografia, seja com fotos que cruzam o limite entre o ético e o não ético. Além de comentários bem humorados sobre até onde vai o seu direito de imagem e até que ponto é necessário compartilhar uma imagem polêmica com o público.

Rick Powell, Everybody Street

Quem curte fotografia além dos aplicativos, vai gostar de conhecer os diferentes pontos de vista e recortes dos profissionais, que mesmo com uma cidade tão fotografada, ainda conseguem criar imagens únicas. Você pode assistir aqui.

Também vale a pena pesquisar mais o trabalho de Dunn, que nasceu em Nova Jersey, mas foi seduzida pelo charme caótico e pela vivência stressante da big apple na década de 80, quando começou a rodar filmes sobre diferentes personagens da cidade. Desde então, já lançou “Bicycle Gangs of New York” e recentemente tem trabalhado na produção de “Creative Growth”, série no Youtube onde entrevista profissionais da arte, como o ilustrador Wylliam Tyler, e músicos, como Pharell Williams, falando sobre inovação e criatividade.

Texto publicado no DeepBeep.