Eu poderia escrever sobre como furei minha bota de tanto andar pela lama do festival, como conheci um casal de Belém vestido com o figurino do Brandon Flowers, como achei fantástica a apresentação do Marky com banda ou ainda sobre como toda experiência de cobertura é um grande aprendizado. Mas achei melhor escolher meus três textos favoritos do Lollapalooza 2013 e publicar por aqui.

Os dois principais são sobre o Planet Hemp, que pra mim foi uma enorme supresa, apesar de já saber que o show seria bem quente. Mas também porque cheguei no domingo achando que ia me emocionar com o Pearl Jam, o que geralmente sempre acontece, mas minha maior lágrima foi pra reação das pessoas ao D2 no palco.

 

Desempenho do Planet Hemp frente a atrações gringas mostra que Lobão estava certo

A apresentação do Planet Hemp no encerramento do Lollapalooza São Paulo neste domingo (31) mostrou que existe demanda do público para boas apresentações nacionais. O show foi mais celebrado do que muitas atrações gringas que aconteceram no palco Butantã.

Recebidos como rockstars, D2 e BNegão mostraram que o rock nacional se faz com boas doses de protestos, barulho e atitude. E que, após dez anos de hiato, o discurso do Planet ainda soa atual e debatido pelo público. A banda relembrou sua fase hardcore abrindo diversas rodas de bate-cabeça movidas por hits de toda a discografia.

Mas não foi só o Planet Hemp que atraiu o público para apresentações noturnas de artistas nacionais. No sábado, a aposta na apresentação do rapper paulistano Criolo, mesmo de forma tímida e com problemas de som, atraiu muita gente para o palco alternativo. Entre seus feitos conseguiu até roubar alguns perdidos no show do A Perfect Circle para cantar “GrajaueX” e “Não Existe Amor em SP”.

No palco eletrônico, o representante nacional foi o inovador projeto de DJ Marky, que na sexta-feira levou sucessos da dance music na voz de Leilah Moreno e MC Stamina para os ouvidos dos fãs de música eletrônica, que dançaram e elogiaram o projeto.

Destaque no período da tarde, a banda Lirinha+Eddie também foi uma grata surpresa com sua apresentação de “Quando A Maré Encher”, da banda Eddie, e gravada pela Nação Zumbi. Mais novinha, a banda curitibana Copacabana Club já marcou presença em diversos festivais brasileiros e também conseguiu fazer um bom show, mesmo que para um público menor, com direito a protesto acalorado contra o deputado Feliciano.

No ano passado, o show do Rappa já tinha mostrado que existe espaço para shows nacionais tão aclamados pelo público quanto os estrangeiros. Tanto que levou os brasileiros para o Lollapalooza Chicago. Nesse ano, os artistas exportados serão o Planet Hemp (também para Chicago) e o projeto de Marky (que vai para o Chile).

Este cenário mostra que Lobão tinha razão quando bateu de frente com os horários que foi colocado. Na edição de 2012, o cantor se negou a tocar por achar que organização privilegiou as atrações internacionais. É importante saber que a sua briga não foi pelos horários, mas por ele ter entendido que as bandas nacionais tem força e público para ser headliner.

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Material publicado em UOL Música.