Para comemorar seus 60 anos, a Bienal de São Paulo abre a exposição “Em Nome dos Artistas”, nesta sexta-feira (30), no Parque Ibirapuera. A mostra exibe trabalhos de 51 artistas que representam as últimas três décadas do cenário artístico americano e britânico.

Ao entrar no prédio da Bienal, logo no primeiro andar, o visitante é conduzido pelas obras do artista britânico Damien Hirst. Paredes com borboletas e um cinzeiro reproduzido em grande escala são algumas das obras do artista, mas é com a vaca e o bezerro divididos ao meio, flutuando em formol e com os orgãos à mostra que se tem o primeiro choque da exposição.

Em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira, o presidente da Bienal, Heitor Martins, falou sobre a polêmica que a obra pode gerar. “A arte contemporânea é a  fronteira. Quando você passa o limite é normal que gere polêmica. Isso testa a sociedade. Se não criarmos esse diálogo, não estaremos cumprindo nossa função”, explica Martins. “Toda mostra contemporânea é provocativa”, completa.

Martins ainda disse que a proposta da exposição é mostrar  artistas contemporâneos que serão ícones daqui algumas décadas. “Quando trouxemos Pollock (em 1957), não pensamos no momento em que estávamos, mas sim no que ele representaria hoje. E é essa a ideia. Mostrar os artistas que serão ícones daqui a algumas décadas”, explica Martins.

A exposição comporta novos nomes e artistas já consolidados no cenário como Jeff Koons, Mathew Barney e Rinchard Prince. “A mostra está dividida em três partes”, explica Gunnnar Kvaran, curador do museu norueguês Astrup Fearnley, responsável pela coleção. “No terceiro piso temos artistas icônicos, da década de 80 e 90 já estabelecidos, como Jeff Koons. No segundo piso temos os jovens americanos, os que ainda estão mostrando seu lugar, como Nate Lowman e para a abertura da exposição convidamos Damien Hirst, que quebou muitas regras quando criou a divisão da vaca e do bezerro. É a primeira vez que essas obras saem das Escandinávia”.

“Escolhemos o nome ‘Em Nome dos Artistas’ porque o foco dessa exposição não é um período histórico isolado, não há nenhum foco específico que não seja a produção individual de cada um desses autores. Eles ilustram a cena artística dos últimos 20 anos”, conta Gunnar, que também explica como os artistas são selecionados. “Existem três formas de se montar um acervo. Em primeiro lugar, é necessário informação. Procuramos essas peças em vários lugares do mundo, precisamos saber onde estão. Ficamos cerca de dois anos viajando. Mapeamos a situação cultural e artística do local e procuramos artistas na fase inicial de carreira. ‘Em Nome dos Artistas’ caracteriza o cenário americano atual de arte”, finaliza Kvaran.

Visitas orientadas
A Bienal tem um roteiro alternativo para crianças e também tem monitores disponíveis durante o período da exposição. É possível agendar horários com escolas e grupos fechados. Mais informações no site da Bienal.


“EM NOME DOS ARTISTAS”
Onde: Pavilhão da Bienal (Parque Ibirapuera, portão 3)
Quando: de 30 de setembro a 4 de dezembro. Aberta de terça a domingo das 9 às 22h (entrada até às 21h)
Ingressos: De R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Matéria para UOL Entretenimento.