Quando se ouve pela primeira vez o nome Tim Burton, a primeira coisa que vem à cabeça em relação a sua história é o estereótipo de um diretor excêntrico, isolado na juventude, cercado de referências de terror e introspecção. E é assim que “O Estranho Mundo de Tim Burton – Tudo O Que Você Queria Saber Sobre Tim Burton, Mas Tinha Medo de Perguntar”, de Paul A. Woods, se apresenta. Vem ler mais. 

O livro que conta a trajetória cinematográfica do cineasta é aberto com a apresentação de seus primeiros curtas, “Vincent” e “Frankenweenie”, e seu trabalho com a Disney – o que a princípio parecia deslocado, mas que mais tarde se tornaria sucesso nas bilheterias com “Alice” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Com a filmografia de Burton costurando sua história pessoal, o livro abre uma fresta para o universo intimo do diretor e mostra o amadurecimento de suas ideias. Como em “As Grandes Aventuras de Pee-Wee”, de 1985, quando o crítico Alan Jones considera que Burton começa a “transformar idéias bizarras em realidades críveis dentro de uma atmosfera cínica de desenho animado”.

O que dá a sensação de tempo em “O Estranho Mundo de Tim Burton” são as resenhas feitas por críticos de cinema famosos, que falam de seus filmes dentro do contexto em que se encontravam na época. No entanto, alguns filmes têm duas ou três resenhas o que, no começo, pode fazer o livro soar um pouco repetitivo. Mas com um pouco mais de leitura, as resenhas são compensadas com algumas curiosidades, como a de que o diretor já pensou em ser enterrado com seu cachorro, o chihuahua Poppy.

O livro também traz entrevistas do diretor e algumas em parceria com o ator Vincent Price, que virou um grande amigo de Burton depois de “Vincent”. Na mesma entrevista, Burton fala sobre o aspecto autobiográfico de seus personagens e como Edward, o mãos de tesoura, é o mais parecido com a sua personalidade. Burton também conta que a princípio o papel principal era para ser de Tom Cruise, que de acordo com fofocas de bastidores, recusou o papel principal por estar preocupado com a  “falta de masculinidade do personagem”.

Woods coloca a personalidade do diretor de uma forma bem icônica, o que é representado no livro como a forma que ele passa a assinar as suas versões de filmes clássicos como “Alice” e “O Estranho Mundo de Jack”, que levam o “de Tim Burton” em em seus títulos.

Como a carreira de Burton nem sempre foi feita de blockbusters, o autor também narra momentos de dificuldade, como a produção de “Batman, o Retorno”, quando o diretor pensou em deixar a carreira no cinema e virar pintor. E histórias engraçadas, como quando fez a mulher Helena Bonham Carter esperar duas semanas para a resposta de um teste para sua personagem em “A Noiva Cadáver”. Além de algumas confissões, como: “Eu não era um grande fã de quadrinhos. Não sei se era disléxico, mas nunca sabia qual balão devia ler primeiro. Sempre lia e pensava que aquela história não fazia sentido”.

Ponto que os críticos concordam é sobre como Burton tem um jeito peculiar de mostrar o lado escuro da infância, que os pais preferem evitar. “É claro que não vou mostrar um filme pornográfico para o meu filho, mas se você mostra algo para os seus filhos sem apresentar como ‘oh, como é terrível’, acho impressionante o número de coisas que eles aceitarão”, diz Burton.

Mesmo que o estereótipo forçado da “estranheza” de Burton às vezes fique cansativo o livro tem as suas compensações sobre sua história de vida, o lado humano de seus personagens e por fim sua personalidade, que no final, é relativa. “Tim Burton é estranho? Pode ser.”, diz o crítico David Mills em uma de suas resenhas. “Mas passe um tempo com Burton e você não vai conseguir deixar de sentir que talvez, quem sabe, o resto de nós é que é estranho, e ele é perfeitamente são”.


O Estranho Mundo de Tim Burton

Autor: Paul A. Woods
Editora: LeYa
Tradutor: Cassius Medauar
Páginas: 344
Preço: R$ 37,90
Resenha para UOL Entretenimento.