O que vejo como principal dilema de músicos que tem como base o rock e a música eletrônica atualmente é a criação de um bom ambiente de entretenimento. É claro que veteranos como Depeche Mode e algumas exceções mais novas como Justice conseguem amarrar o público com desde efeitos de iluminação ousados até uma boa execução live de suas músicas. Mas enquanto a transição do ambiente disco para o ambiente show não se completa no novo cenário, o que dá para encontrar são muitas bandas novas com ótimas produções, mas que esculacham com suas apresentações ao vivo.

Essa pequena introdução foi para falar um pouco sobre a experiência que tive com o duo canadense Chromeo na semana passada. A dupla P-Thugg e Dave1 desembarcou em São Paulo para o lançamento do New Fiesta em uma festa fechada para cerca de 250 pessoas e claro que isso já foi suficiente para causar muito burburinho. Teve muita gente fã que teve que tirar fotos com o carro pela cidade pra tentar conseguir ir e gente lá que nunca tinha ouvido falar dos caras e nem se comoveu com o que estava rolando.

Super carismáticos, os dois entraram no palco fazendo uma pequena introdução para “Outta Sight” e logo em seguida veio “Tenderoni”, ambas do álbum Fancy Footwork, de 2007. A mistura de electro-funk com as guitarras agudas e por vezes farofeiras podem soar um pouco cafonas para uma primeira vez, mas a ironia também faz parte do pacote.

Em uma sequência com pequenas pausas, “Needy Girl”, foi tocada com um baixão daqueles de encher qualquer espaço e “Bonafied Lovin” “Hot Mess” e “Night By Night”, as duas última do álbum fresquinho Business Casual, tomaram conta de deixar a pista quente e muitos cantando junto, mesmo as músicas mais novas. Nos shows “completos”, os caras também contam com três backing vocals que além de volume no palco ajudam a dar vida as produções. Mas ao contrário do que alguns reclamaram, não senti falta de uma banda tocando junto, os dois mostraram que dão conta do recado.

Voltando ao que falei no início, no palco e como geralmente acontece nesses casos, realmente não dá pra perceber o que está sendo tocado e o que é playback mesmo tendo a noção que só esses caras sabem o que é sincronizar um efeito pronto com um vocal no vocoder, uma guitarra, um synth e já pensar o que vem na próxima música. Em algumas músicas rola uma firulagem sim, mas também tem horas que chega a ser imperceptível as passagens gravadas. E nos momentos que os caras tocam, tocam mesmo. Acho que esse é meio o caminho desses caras que não são nem DJ’s, nem bandas, são um pouco de cada. Saber dosar sem parecer playback demais e nem um ao vivo desesperado e confuso. E os espectadores, nesse caso, precisam se adaptar a um ambiente que nem é um show, nem é uma pista, por isso nem pode ser criticado nem como um, nem como outro.

Os caras falaram em uma coletiva para jornalistas, que voltam no ano que vem para um show aberto ao público. Aguardamos então o que eles chamam de “show completo”.

Para quem quiser ouvir o álbum novo, é só baixar ou ouvir o streaming aqui.

Setlist

Intro
Outta Sight
Tenderoni
Call me up
Opening Up
Needy Girl
Bonafied Lovin
Hot Mess
Don’t turn the lights on
You’re so gangsta
Night by Night
Fancy Footwork
Momma’s Boy
100%
My Girl is Calling Me (a liar)