“Ela não é uma mulher como todas as outras, parece toda enrolada em si. Perdida em um mundo que carrega profundamente dentro dela”. A frase de “O Beijo da Mulher Aranha”, clássico de Héctor Babenco, diz muito sobre o trabalho da artista Chiharu Shiota. Com novelos de lã, tesouras e um sketchbook, a japonesa cria teias que capturam móveis, instrumentos, vestidos, sapatos, janelas, memórias. Um filtro de sentimentos que gera desconforto e curiosidade.

Descobri suas instalações no Art Berlin, pra quem ela abriu o estúdio recentemente. Shiota nasceu em Osaka, em 72, e desde 96 se deixa inspirar pela vibe experimental da capital alemã. Quando não está criando labirintos, divide o tempo desenvolvendo cenários para espetáculos de teatro e cuidando de suas cerejeiras. Suas obras tratam de vida, morte, ansiedade. Achei interessante o exercício de transpiração. Dá pra imaginar que este caos está todo dentro dela?

Abaixo, algumas das que mais gostamos.

apan-Art-Today[Kunsthaus-Interlaken,-Interlaken-_-Switzerland]photo-by-Sunhi-MangJapan Art Today // foto de Sunhi-Mang

Dialogues[New-Art-Gallery-Walsall,-Walsall-_-UK]photo-by-Jonathan-ShawDialogues (New Art Gallery – UK) // foto de Jonathan Shaw

Presence-in-the-Absence-photo-by-Caylon-HackwithPresence in the Absence // foto de Caylon Hackwith

Presence-in-the-Absence[Rochester-Art-Center,-Rochester,-Minnesota-_-USA]Presence in the Absence // foto de Caylon Hackwith

Presence-in-the-Absence[Rochester-Art-Center,-Rochester,-Minnesota-_-USA]photo-by-Caylon-HackwithPresence in the Absence // foto de Caylon Hackwith

“A instalação com janelas surgiu quando encontrei muitas dessas molduras de demolições antigas das casas de Berlim. Então pensei, quantas pessoas nunca olharam para essas janelas, para as histórias que presenciaram? Não consegui simplesmente jogar fora e apenas esquecer”

His-Chair-[ARoS-Aarhus-Kunstmuseum,-Aarhus]His Chair (ARoS Aarhus Kunstmuseum)

Stairway-[Schleswig-Holsteinischer-Kunstverein,-Kunsthalle-zu-Kiel]Stairway (Schleswig Holsteinischer Kunstverein, Kunsthalle zu Kiel)

“Não quero entregar uma mensagem racional, mas criar uma impressão emocional. Não quero explicar a minha arte. A audiência precisa sentir o real impacto e os questionamentos. O que vejo na minha arte não é absoluto, todo mundo pode criar uma interpretação legítima”

Dialogues1Dialogues