Mistura dos biergartens alemães e das feirinhas gastronômicas paulistanas, o Food Park Butantã recebe bicicletas, trucks e barraquinhas com gastronomia variada e mesas a céu aberto. Cerca de 25 furgões dividem 1.600 metros quadrados próximos a Ponte Eusébio Matoso, pertinho da estação de metrô Butantã e da Marginal. A ideia foi trazida do velho continente por Maurício Schuartz, que já cuida da Feirinha que rola na Benedito Calixto e que faz parte de um projeto de revitalização da região na zona oeste paulistana. Aqui você descobre mais sobre o formato que o inspirou a levar a ideia para SP. 

Como surgiram os beer gardens (os jardins da cerveja)
Os beer gardens surgiram na Bavária, no sul do país, aquele lugar conhecido por reunir muitas tradições alemãs, entre elas churrascos com embutidos, e muita, MUITA cerveja escura. Lá pelo século 19, era proibido produzir cerveja no verão. As altas temperaturas necessárias para o processo de fermentação juntos com o calor criavam perigosos pontos de incêndio na cidade. Por causa disso, os cervejeiros sedentos, mas ainda sem muita tecnologia, precisavam esperar o outono e inverno para iniciar a alquimia da cevada.

Garantindo a bebedeira na primavera-verão, as cervejarias cavaram adegas nas margens do rio Isar para armazenar a cerveja e mantê-la fresca. Para reduzir ainda mais a temperatura da adega, cobriram as margens do rio com cascalho, plantaram árvores para criar sombra e frescor. Vocês devem imaginar que não demorou muito pra alguém resolver já beber por ali mesmo.

Hoje em dia em cidades como Munique, as famílias podem levar seus próprios alimentos, almoços, piqueniques, churrascos e consumir a cerveja do local. Já em Berlim, mais no norte e com clima urbano, os biergartens estão espalhados pelos parques, áreas verdes e no formato mais hypesterizado, que é o que está chegando ao Brasil, cheio de opções gastronômicas inovadoras, feiras de discos, DJs, cadeiras de praia, bijous e arte, como o Bite Club, da foto movimentada no topo e deste belo quitute.

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Minha torta favorita (sim, estou escrevendo faminta)

Por aqui, o preço é a média de comer em restaurante e considerado caro pelos locais. Um picolé custa cerca de três euros (nove reais), um bom hamburguer custa por volta de 6,50 euros (cerca de 21 reais) e um pedaço desta torta custa uns 4 (doze reais). Uma cerveja custa por volta de 2,50 + 1 de pfand, que é o esquema deles de troca da garrafa, se você devolve, pega o euro de volta.

Não tem “na Europa, blá blá blá”, é sempre cheio 
As filas existem. Dá pra imaginar que não é muito fácil você em três no furgão cozinhando para vinte, o tempo depende muito do preparo, mas no geral em dias de médio movimento você demora uns 20 minutos pra comer alguma coisa. Nós, paulistanos reclamões, nos surpreendemos com a paciência das pessoas, que é o que cria a boa vibe dos lugares.

A gente achou muito legal essa ideia chegar a São Paulo. Dá pra imaginar que o começo será inevitavelmente caótico, que é como a cidade mais ou menos funciona. Mas onde existe demanda, existe espaço pra crescer e o que não falta na capital é lugar pra ser ocupado e ideias criativas.

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Food Park Butantã
R. Augustinho Cantu, 32, Butantã
Horário de funcionamento: de seg. a ter., das 11h às 15h e das 16h às 20h; de qua. a sex., das 11h às 16h e das 17h às 22h. A entrada é gratuita e as porções custam entre R$ 10 e R$25.
Aqui tem todos os truckers participantes