Mariana Gonçalves, do blog Bicicletani, pedala a Europa e a Ásia desde abril de 2014 e já esteve no Nepal, na Índia, na Albânia, na Romênia, em Montenegro. Sozinha. Ou melhor, na companhia de Sol, a fiel escudeira de duas rodas. A gente perguntou pra historiadora de 32 anos o que ela aprendeu na jornada que percorreu oito mil quilômetros e 24 países.

1) Desenvolvi minha intuição

Mariana (b)

“Eu levo um saco de dormir comigo e, quando bate o sono, paro e bato em uma porta. Peço abrigo no jardim. Sei que, em muitas culturas, fazer isso não é nada convencional. Eu ‘farejo’ coisa ruim. Já aconteceu, na Romênia, de eu bater em uma porta e um homem me chamar para dormir dentro da casa. Naquele dia, declinei, porque farejei o perigo. Em outras ocasiões, aceitei, e fui tratada muito bem e com respeito. Viajar sozinha te proporciona uma chance muita preciosa de abrir o teu coração ao desconhecido.”

2) Descobri talentos

[Foto 3] Mariana e seus caderninhos artesanais_Copyright Manoella Barbosa
“Antes de sair do Brasil, vendi um  carro por R$20.000. Desde que o dinheiro acabou, me viro como posso. Toquei flauta em Granada, colhi uva na França e, no Nepal, aprendi a confeccionar cadernos artesanais. Também vendo minhas fotos e dou palestras. É uma auto-descoberta muito grande.”

3) PAREI DE FRESCURA

Mariana dividindo um rango com amigos de bike na Tailândia

“Adoro sushi, mas nunca mais comi desde que saí do Brasil. Vez ou outra sinto falta de açaí. Quando ainda estava no Brasil, pensava muito nisso de alimentação. O que comer, quando, não comia carne. Hoje, minhas prioridades mudaram. Se estou com fome e o que há pra comer é carne, então comerei carne e ponto. Se passo dias à base de lentilhas e aveia, também estou feliz. Também durmo em qualquer canto, e bem. Não tem mais isso de não conseguir dormir com barulho ou porque o colchão é duro. A vida na estrada, de bike, me ensinou a me concentrar em coisas mais importantes: a natureza, as pessoas, a cultura.”

Mariana (g)

bike-bicicleetani

Mariana tem pressa. Logo mais ela se encontrará com uma pessoa para acertar os detalhes de uma palestra em Berlim: “Muitos acham a história da minha vida inspiradora, e isso me alegra muito”. A leonina não tem planos, ainda, de voltar para o Brasil: “ Ainda tem tanto lugar pra ver! Quero ir pra Indonésia, tem o Canadá, Estados Unidos. Uma hora eu volto para o Brasil”. A reportagem quer saber se tem valido a pena viver esse sonho. “Sonho?”, indaga ela. “Não estou realizando um sonho, eu estou vivendo!”

Quer saber onde Mariana está agora? Ela conta! Vai lá: Bicicletani.