Baterista do Arctic Monkeys, Matt Helders promete mostrar no Brasil por que a banda foi eleita por uma revista britânica o melhor show ao vivo da Inglaterra em 2011. No grupo desde a formação original, Helders desembarca com o quarteto no país no início de abril para um show no festival Lollapalooza, que se realizará no dia 8. Em entrevista por telefone ao UOL, o baterista adiantou o setlist, falou sobre a turnê com o Black Keys e os ingredientes para um bom show.

No momento,  os ingleses estão em turnê para divulgar seu quarto álbum de estúdio, “Suck It And See”, lançado em junho de 2011 e que teve a palavra “suck” censurada com uma tarja para as vendas em lojas dos Estados Unidos.

Não é a primeira vez que a banda vem ao Brasil. Eles estiveram por aqui em 2007 para fazer um show no Tim Festival, e passaram também pelo Rio de Janeiro e Curitiba. Na ocasião, divulgavam o álbum “Favourite Worst Nightmare”.

A última vez que estiveram aqui foi em 2007, o que você lembra dessa época?
Matt Helders: Eu lembro das árvores nas estradas, de passar algum tempo na praia, era verão. E os shows foram ótimos, lembro dos fãs muito empolgados. Esperamos poder aproveitar melhor dessa vez, o Brasil é um lugar muito bonito.

Tem alguma banda que gostaria de ver neste Lollapalooza?
Matt Helders: Gosto muito de Jane’s Addiction, não sei certamente quem estará no festival, mas acho que esse é um show que nunca vimos.

O que poderemos esperar do setlist?
Matt Helders: Nós faremos uma boa mistura das músicas do novo álbum (“Suck It And See”) e teremos muito do setlist que tocamos em 2007. Como headliners, vamos fazer um grande set, tocaremos cerca de uma hora e vinte minutos, isso é legal. Nós vamos tocar também músicas novas como “R U Mine”, que criamos durante a turnê com o Black Keys, e alguns b-sides.

E falando sobre os Black Keys, como aconteceu a turnê com eles?
Matt Helders: Nós já tínhamos nos encontrado algumas vezes antes, mas na verdade sempre fomos grandes fãs do trabalho deles, gostamos muito desde os primeiros álbuns, foi estranho no começo. Nós tocamos em um mesmo festival no verão e conversamos como seria legal fazer uma turnê juntos. E então, se tornou realidade.

Por aqui vocês sempre tocaram em grandes festivais, não tem vontade de shows menores?
Matt Helders: Sim, claro. Mas acho que agora essa é a melhor forma, porque a demanda exige grandes shows. Mas ao mesmo tempo fazemos shows sozinhos e algumas vezes mais fechados na Inglaterra, e vou te dizer, pode ser perigoso. Nos festivais é legal por atrair multidões, também é um ótimo tipo de show.

E o que faz um show bom, inesquecível pra você?
Matt Helders: Acho que o que faz um show bom é toda essa energia, os gritos do público, conseguirmos fazer uma boa performance e devolver essa energia aos fãs. Acho que é o que fazemos melhor. Às vezes gosto de relaxar um pouco no backstage antes do show para conseguir tocar melhor, mas não faço nada de especial.

Alex (vocalista) disse em uma entrevista que gostaria de esperar até 2013 para lançar um novo álbum… Isso é real?
Matt Helders: É verdade. Acho que para lançar algo novo precisamos de mais algum tempo, estamos pensando em voltar aos estúdios em junho. Ainda não é nada oficial, mas queremos a voltar ainda esse ano.

Então “R U Mine” (lançada em fevereiro) não é nenhuma prévia de álbum?
Matt Helders: Não, é uma canção solta, um single. Talvez lancemos outras músicas soltas assim durante o ano, isso é meio do momento, mas nós gostamos de tocar, criar b-sides. Talvez isso seja algo que faremos diferente dessa vez, ao invés de um álbum cheio, ainda não sabemos.

Outra coisa que Alex comentou foi que atualmente está difícil criar rock nos tempos atuais, é difícil pra você?
Matt Helders: Eu não sei, acho que não. Não costumo escrever músicas, isso faz tocar rock na bateria parecer bem fácil.

Chris Martin disse em uma entrevista que sem Pulp, Blur e Take That, o rock britânico está se “desintegrando”, você concorda?
Matt Helders: Acho que é um tempo diferente, na verdade. Há bandas com diferentes influências, não há uma única cena em grande destaque como o britpop já foi e isso não necessariamente acontecerá de novo. Tem muita coisa para ser ouvida.

Mudando um pouco de assunto, o que você faz quando não é o baterista de uma grande banda, o que costuma ouvir?
Matt Helders: Na verdade é difícil isso acontecer, sempre estou em shows. Mas gosto de relaxar. Não tenho nada muito novo no meu iPod, costumo ouvir coisas velhas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Black Sabbath, Tame Impala.

Tem alguma mensagem para os fãs brasileiros?
Matt Helders: Não estejam cansados, porque vamos tocar 1h20 e seremos os melhores headliners que vocês podem ter.

Entrevista produzida para UOL Música.