Felipe e Luiz Fernando Spino foram criados entre o caos paulistano e a maresia do litoral. Aos sete e oito anos se mudaram com a família para o Guarujá, onde a vida em cima das pranchas e skates os seduziu. Nas horas vagas, motivados pela mãe, brincavam de imitar manobras de astros californianos das ondas e das rodinhas, sempre com um olho em Venice Beach.

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Com o passar dos anos, a faculdade e a mudança de volta para a capital, os esportes com prancha viraram hobby, mas não ficaram de lado. Para driblar a falta de tempo ou o fim de semana com maré baixa, os irmãos começaram a se exercitar com a balance board.

“Meu irmão e mais dois amigos ganharam a primeira balance board de um surfista brasileiro, Phil Rajzman, campeão mundial de longboard. Após um ano o ‘brinquedo’ quebrou. Ficamos na abstinência de exercitar nosso equilíbrio nos dias sem ondas, não encontramos nada no mercado brasileiro e procuramos um marceneiro para nos ajudar a desenvolver”, explica Felipe.

A balance board pode surgir de várias gambiarras com objetos do dia a dia. “PVC com ‘recheio’ de cimento, latas de óleo, garrafas de vidro, o rolinho pode variar muito. A prancha pode ser uma simples folha de madeira, um shape de skate, ou até mesmo um toco de prancha quebrada”, explica. “O balance board é uma atividade complementar aos esportes de prancha como surf, skate ou snowboard. Mas também pode ser usado em exercícios que envolvam propriocepção, como pilates, por exemplo.”

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Com o sucesso que as primeiras pranchas fizeram entre os amigos, a dupla decidiu continuar desenvolvendo acessórios artesenais para prática de esportes ao ar livre. Com madeira de reflorestamento, um marceneiro dedicado, uma parceiro meio-alemão (Christian Rentsch) e ilustrações de artistas inspirados pelo mar, como Felipe Assim e Rafael Escudeiro, surgiu a Spin’ o Board.

Entre os benefícios da prancha, que já foi adotada por Hugh Hefner (editor da “Playboy”), estão desenvolvimento da coordenação motora, percepção da postura e melhor estabilidade. O lugar também pode aumentar a sensação de bem estar.

“Em São Paulo gostamos da Marquise do Parque Ibirapuera, as calçadas da Avenida Paulista e a Praça Pôr-do-sol. Os melhores lugares para praticar precisam de chão liso e regular, com uma paisagem maneira, solzinho e amigos, fica melhor ainda”. A gente super curtiu a ideia e está se preparando para aquecer as pernas. Se você também achou bacana, dá uma olhada no vídeo abaixo e corre lá que eles têm pranchas pra espaços, pesos e gostos diferentes.

Ilustração: Rafael Escudeiro
Fotos: Felipe Spino