Elas colocaram salto quinze no presidente russo Vladimir Putin, são fãs do Vengaboys e em seu último clipe, que já ultrapassou 10 milhões de visualizações no Youtube, tentam cantar enquanto se masturbam com um vibrador. Girlband holandesa, a ADAM é formada por Anna Speller, Eva Cleven, Loulou Hameleers, Sanne den Besten e Suzanne Kipping. Batemos um papo com elas sobre este tabu do universo feminino e, claro, música. Vem ver. 

“As mulheres são seres tão sexuais quanto os homens. Esse clipe mostra que a sexualidade é sua e ninguém pode dizer o que você deve ou não fazer”, comenta Suzanne. No clipe de “Go To Go”, pop chicletinho, elas fazem uma versão do projeto Hysterical Literature, de Clayton Cubitt, aquele que mostrou um orgasmo da Stoya durante a leitura de “Necrophilia Variations”.

Ela explica que a ideia de fazer o clipe surgiu junto com a proposta da banda, que tem pouco menos que um ano e não gerou desconforto nas integrantes. “Somos uma banda que fala sobre coisas importantes para nós. Escrevemos sobre música, homens, nossas ambições, sonhos, e isso inclui sexualidade. Falamos realmente sobre tudo. Então, em um certo ponto, nós conhecíamos esse projeto e pensamos como seria cantar enquanto estivéssemos ‘distraídas’. Ficamos curiosas e decidimos fazer o vídeo.”

Poucas semanas depois, o vídeo virou hit do Youtube, ganhou versão masculina e paródias de apresentadores de TV. Com isso também apareceram haters e comentários como “se fosse minha filha isso não aconteceria”, “banda de marketing” e alguns pedidos de casamento. ”Estávamos muito curiosas sobre o que aconteceria. Ele foca em nossos rostos. O conceito, a beleza e a honestidade dele é algo que estamos 100% de acordo. Nós todas concordamos que foi uma boa maneira de mostrar nossa sexualidade de uma forma que não fosse pornográfica. A discussão que tem crescido com o vídeo só nos faz amar ainda mais o assunto.”

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Unidas por uma jam session ao som de “Royals”, da cantora britânica Lorde, a banda holandesa tem conquistado as rádios locais como Spice Girls modernetes, experimentando o sucesso clipe a clipe. “Ainda estamos preparando nosso primeiro álbum e queremos cantar juntas o máximo que pudermos em festivais de verão em 2014. Vamos colaborar com Justin Timberlake, Miley Cyrus e Beyoncé, embora eles não saibam ainda”, diz entre risos.

“Gostamos de pensar que a Holanda é pró-LGBT, mas ainda há um monte de homofobia. Queríamos mostrar que, se você nasceu de uma certa maneira, homossexual OU heterossexual, estamos bem com isso!”

Junto ao visual estiloso e o papo de sexualidade livre, a banda também é afiada no discurso pró-LGBT. Em seu primeiro trabalho, “Hit Me Again“, marcado por clichês de festas que já vimos em clipes de Lady Gaga e Britney Spears, as cantoras ensaiam beijos e brincam com máscaras que satirizam Putin. ”No dia em que gravamos esse clipe, tinha muita gente nos ajudando. Algumas pessoas conheciam o conceito do vídeo, outros não. Havia dois extras que não queriam participar porque havia meninos se beijando”, conta Suzanne. “Gostamos de pensar que a Holanda é pró-LGBT, mas ainda há um monte de homofobia. Queríamos mostrar que, se você nasceu de uma certa maneira, homossexual ou heterossexual, estamos bem com isso!”.

Se vai ser só mais um hit do Youtube ou se elas se manterão firmes no discurso, só o tempo irá dizer. Mesmo com clipes provocativos e igualitários, a banda entende feminismo como um “rótulo”. “Nos consideramos mulheres. Temos opiniões, somos criativas e livres na nossa expressão. Se você quer nos colocar em uma prateleira, pode nos chamar de ADAM.”