Nesta terça (6), morreu Ray Bradbury, autor norte-americano de ficção científica conhecido por “Fahrenheit 451″, livro tão importante quanto “Admirável Mundo Novo”, do Huxley ou “1984″, do Orwell. Abaixo um trechinho de como ele escreveu o livro e um trailer do filme adaptado por Truffaut em 66, época em que os trailers eram muito mais legais. Esse é um dos filmes que mais marcou minha formação.

“Eu precisava de um escritório e estava sem dinheiro para isso. Então, certo dia, eu estava caminhando pela U.C.L.A. e escutei alguém datilografando no porão da biblioteca. Descobri que havia uma sala de datilografia onde você podia alugar uma máquina de escrever por meia hora a dez centavos de dólar.

Me mudei para a sala de datilografia junto com um bando de estudantes e uma saco cheio de moedas – um total de US$ 9,80, dinheiro que gastei na criação da versão de 25 mil páginas de “O bombeiro” em nove dias. Como pude escrever tantas palavras tão rapidamente? Foi por causa da biblioteca.

Todos os meus amigos e pessoas queridas se encontravam nas estantes acima de mim, e berravam e gritavam para que eu fosse criativo. Então, subi e desci as escadas, procurando livros e citações para colocar em minha novela do “Bombeiro”. Vocês podem imaginar como foi emocionante escrever um livro sobre queima de livros na presença de centenas dos meus queridos nas estantes. Era a maneira perfeita de ser criativo; é isso o que uma biblioteca faz.

Espero que vocês gostem de ler o resultado de minha paixão. O livro ficou maior alguns anos depois, e se tornou popular, graças a Deus, entre muitas pessoas”.